Trabalhadores dos bares dos comboios da CP protestam contra incumprimentos salariais e exigem reunião com ministro

Para além dos litígios laborais com a ITAU, os trabalhadores apontam o dedo à administração da CP, acusando-a de cumplicidade ao ignorar o incumprimento do caderno de encargos e do contrato de concessão.

Trabalhadores dos bares dos comboios da CP protestam contra incumprimentos salariais e exigem reunião com ministro
Cristina Bernardo

Os trabalhadores da ITAU — empresa que assegura o serviço de refeições nos comboios Alfa Pendular e Intercidades da CP — concentram-se esta quarta-feira, 23 de abril, em Carnaxide, para exigir o cumprimento do Acordo de Empresa em vigor e aumentos salariais retroativos a janeiro de 2026, segundo o comunicado do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul.

A ação de protesto, convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Sul (filiado na CGTP-IN), tem início às 11h00 à porta da sede do Grupo Trivalor/ITAU, na Rua da Garagem, em Carnaxide. Em causa estão alegados incumprimentos no pagamento de diuturnidades, prémios, ajudas de custo e subsídio de alimentação, bem como irregularidades nos horários de trabalho e na organização do trabalho ao fim de semana.

Os trabalhadores denunciam ainda uma situação que consideram discriminatória: segundo o sindicato, são os únicos, em todo o universo do grupo empresarial, a não terem beneficiado de qualquer aumento salarial até à data.

CP acusada de conivência

Para além dos litígios laborais com a ITAU, os trabalhadores apontam o dedo à administração da CP, acusando-a de cumplicidade ao ignorar o incumprimento do caderno de encargos e do contrato de concessão. Entre as falhas denunciadas estão a ausência de penalizações aplicadas à ITAU quando os bares circulam encerrados, quando há falta de produtos ou equipamentos, quando mercadorias não são descarregadas em fins de linha como Braga, Faro, Guarda e Évora, e quando não são fornecidas fardas aos trabalhadores — situação que, segundo o sindicato, coloca também em causa a higiene e segurança alimentar.

No período da tarde, pelas 14h00, os trabalhadores deslocam-se ao Ministério das Infraestruturas e Habitação, nos Campos XXI, em Lisboa. A concentração conta com a presença do Secretário-Geral da CGTP-IN, Tiago Oliveira, e tem como objetivo exigir uma audiência com o ministro da tutela — que, segundo o sindicato, não respondeu a reiterados pedidos de reunião.

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