Tensão entre Israel e a Palestina em níveis alarmantes

Depois do ataque a muçulmanos que se encontravam no interior da mesquita de Al-Aqsa, o território israelita foi alvo de numerosos ataques com rockets vindos do Líbano, segundo as forças de segurança do Estado hebraico.

Tensão entre Israel e a Palestina em níveis alarmantes
Israel bombardeia Gaza

O exército israelita revelou esta quinta-feira que intercetou uma barragem de rokets disparados do Líbano, um dia depois de a polícia do Estado hebraico ter atacado palestinianos dentro da Mesquita Al-Aqsa, em Jerusalém, durante duas noites seguidas.

“Um foguete foi disparado do Líbano para o território israelita e foi intercetado com sucesso”, informava uma declaração inicial do exército israelita. Mais tarde, no Twitter, os militares israelitas adiantaram que 34 foguetes foram disparados do Líbano, com 25 interceções e pelo menos quatro rebentando em Israel.

O ataque com foguetes foi seguido por uma rajada de fogo de artilharia israelita através da fronteira, disse entretanto a Agência Nacional de Notícias do Líbano sem adiantar nenhuma vítima. Segundo o relatório libanês, a artilharia israelita disparou “vários projéteis das suas posições na fronteira” em direção à periferia de duas aldeias após o lançamento de “vários rokets do tipo Katyusha” contra Israel.

Os projéteis foram disparados, segundo as agências internacionais, por fações palestinianas, e não pelo grupo armado libanês Hezbollah – que controla a segurança no sul do Líbano e lutou contra Israel por várias vezes no passado.

A força de paz da ONU estacionada no sul do Líbano, a UNIFIL, disse em comunicado que houve “vários lançamentos de foguetes do sul do Líbano em direção a Israel” e o exército israelita informou a UNIFIL que, em resposta, ativou o seu sistema de defesa Iron Dome.

O chefe da força de manutenção da paz, major-general Aroldo Lazaro, tem estado em contato com as autoridades libanesas e israelitas, dizia ainda o comunicado. “A situação atual é extremamente grave. A UNIFIL pede moderação para evitar mais uma escalada”, acrescentava.

Segundo a agência Reuters, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, “recebe atualizações contínuas sobre a situação de segurança e conduzirá uma avaliação com os chefes das forças de segurança”.

Não houve de imediato nenhum grupo armado conhecido que reivindicasse a responsabilidade pelo ataque, o que, não sendo regra, sucede várias vezes.

Entretanto, grupos armados palestinianos instalados na Faixa de Gaza dispararam foguetes contra o sul de Israel pelo segundo dia consecutivo, segundo os militares israelitas.

Após o ataque de quarta-feira, aviões israelitas atacaram vários locais em Gaza, atingindo alvos citadinos e o campo de refugiados de Nuseirat, no centro do enclave costeiro, que faz fronteira com o Egipto. As autoridades israelitas disseram que o ataque ocorreu como resposta ao disparo de quatro rokets a partir de Gaza.

Ao mesmo tempo, um grupo de jovens palestinianos dirigiu-se à barreira que separa Gaza de Israel a leste e ateou fogo a pneus durante uma manifestação organizada para protestar contra a repressão aos fiéis no complexo de Al-Aqsa.

Duas fações palestinianas residentes em Gaza, o Hamas e a Jihad Islâmica, disseram em comunicado que qualquer “tentativa [de Israel] de mudar o estatuto da Mesquita de Al-Aqsa, ou de judaizar o local, iniciaria uma guerra sem precedentes em todas as frentes, especialmente de Faixa de Gaza”.

No ataque de ontem à mesquita de Al-Aqsa, pelo menos 12 palestinianos ficaram feridos e mais de 400 outros foram detidos na véspera do 15º dia do mês sagrado muçulmano do Ramadão, que desta vez coincidiu com o primeiro dia do feriado judaico da Páscoa.

Algumas horas depois, dezenas de colonos israelitas entraram no pátio do complexo da Mesquita de Al-Aqsa sob a proteção da polícia. Nos últimos anos, grandes grupos de judeus ultranacionalistas visitam regularmente o local com escolta policial, algo que os palestinianos consideram uma provocação.

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