Tapeçaria de Bayeux já se encontra no British Museum

A travessia do Canal da Mancha foi feita no mais absoluto sigilo. Pela primeira vez em cerca de mil anos, a Tapeçaria de Bayeux saiu de França e encontra-se agora em Londres, onde estará em exposição a partir de setembro, no British Museum.

Tapeçaria de Bayeux já se encontra no British Museum
© Bridgeman Images

A Tapeçaria de Bayeux chegou ao British Museum, em Londres, regressando a Inglaterra pela primeira vez em mil anos. Por volta das 6h da manhã de sexta-feira, 10 de julho, o diretor do museu, Nicholas Cullinan, escreveu no Instagram: “A Tapeçaria de Bayeux chegou @britishmuseum. Atravessou o Canal da Mancha pela primeira vez desde que foi criada, na década de 1070.”

A tapeçaria de 70 metros foi retirada de um local secreto no norte de França e transportada por camião através do túnel do Canal da Mancha, numa viagem que terá durado 11 horas. A BBC relata que, no ano passado, esta obra de enorme importância histórica foi retirada do suporte dobrável onde habitualmente está exposta, no Museu da Tapeçaria de Bayeux, na Normandia, França, e acomodada dentro de uma caixa, cuja temperatura e humidade foram devidamente acauteladas.

A Tapeçaria de Bayeux, que retrata a invasão normanda de 1066 e a Batalha de Hastings – que mudou para sempre a história de Inglaterra – será exposta na Sainsbury Exhibitions Gallery, de setembro de 2026 a julho de 2027. Durante este período, o Museu da Tapeçaria de Bayeux será objeto de obras de requalificação.

A tapeçaria pertence ao Estado francês, não à instituição de Bayeux, pelo que o empréstimo foi negociado com o governo. Num artigo de opinião publicado no Le Monde, Nicholas Cullinan escreveu que “a França tem cuidado de um dos maiores tesouros históricos do mundo durante cerca de um milénio. Agora, e pela primeira vez, França deixou que esta obra atravessasse [o Canal da] Mancha.” Mais salientou que “empréstimos entre museus são uma prática comum”, mas que aqui se trata de algo diferente.

“Confiar a outro país um dos teus tesouros culturais mais preciosos é um gesto que vai além da diplomacia. É um gesto de confiabilidade, de amizade e, acima de tudo, de confiança”, sublinhou o diretor da instituição britânica. Por sua vez, o presidente francês, Emmanuel Macron, escreveu no The Times que “os nossos dois países não se limitam a emprestar obras de arte um ao outro: partilham as grandes narrativas das origens da história europeia.”

No primeiro dia de venda de bilhetes para a exposição “The Bayeux Tapestry“, o o British Museum bateu o recorde de bilhetes vendidos em 24 horas em toda “a história do museu”, realçou a instituição em comunicado, cuja receita ultrapassou os 2,5 milhões de libras (cerca de 2,9 milhões de euros). Em breve serão anunciadas as datas em que serão colocados mais bilhetes à venda.

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