Reduzir o risco com uma estratégia em que o fumador esteja sempre no centro do processo. A Tabaqueira, adquirida pela empresa multinacional Philip Morris International em 1997, partilhou com os seus parceiros a sua visão do que pode ser um mundo sem fumo e sem tabaco, num evento que teve lugar em Lagos este fim-de-semana.
Marcelo Nico, diretor-geral da Tabaqueira, o psiquiatra Rodrigo Sousa Coutinho e o farmacêutico Rui Minhós abordaram vários aspetos relacionados com a adição e a forma de a combater, dando vários exemplos de como se combateu o risco associado ao consumo e respetivas consequências nefastas associadas a outras substâncias.
De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, em 2025 continuarão a existir mais de mil milhões de fumadores em todo o mundo. A Tabaqueira acredita que poderá contribuir de forma concreta para melhorar os resultados em termos de saúde pública se, em paralelo às políticas de prevenção e de cessação tabágica, for adotada uma abordagem sempre centrada na redução do risco.
Marcelo Nico focou-se nesse aspeto: “Temos que reduzir o risco para os mil milhões de fumadores que haverão em todo o mundo em 2025. Acredito que o cigarro seja algo do passado”. O apelo passou por um entendimento necessário entre reguladores, legisladores, especialistas e a sociedade civil para que seja definida uma nova geração de políticas que tenha por base a ciência, assim como os recentes desenvolvimentos tecnológicos.
Já o farmacêutico Rui Minhós, também colocou a ênfase na capacidade de centrar o indivíduo no centro do processo e nos malefícios associados ao consumo de nicotina: “O problema associado ao tabagismo é a forma como a nicotina é consumida. Fumar é de facto a forma mais perigosa de consumir nicotina”, realçou este especialista.
Outro aspeto que esteve em debate esteve relacionado com a legislação adotada na Nova Zelândia no final do ano passado e que passa não apenas por proibir que jovens com idade igual ou inferior a 14 anos possam comprar tabaco mas também pela implementação de leis antitabagismo. Os especialistas consideram mesmo que, neste domínio, a Nova Zelândia adotou um dos mais rígidos pacotes legislativos a nível mundial.
Com uma vasta experiência no tratamento de adições, o psiquiatra Rodrigo Sousa Coutinho considerou que criminalizar “não faz sentido nenhum” e que “não se ganha nada com isso”, salientando a eficácia de outras metodologias para abordar este problema.
Pelo mesma ideia, Marcelo Nico, diretor-geral da Tabaqueira, considerou que a proibição “nunca foi solução” e que, ao invés, “devem-se adotar soluções holísticas que permitam diminuir o risco”. Lançando o dado de que existem 1,5 milhões de fumadores em Portugal, este responsável voltou a insistir na política de “colocar o fumador no centro da abordagem” e com a intenção de acabar com o cigarro tradicional e substituí-lo gradualmente por “produtos mais saudáveis”.
Em Portugal, no final do último ano, existiam mais de 300 mil utilizadores de Iqos (sistema de tabaco aquecido), cujo número de postos de venda aumentou para três mil em todo o país, de acordo com dados revelados pela Tabaqueira no final do ano passado, informação inserida no relatório de sustentabilidade anual.