O ministro da Justiça da Suécia, Gunnar Strommer, vai enviar ao parlamento sueco uma nova lei que, se aprovada, criminalizará a participação em grupos ou organizações consideradas terroristas. Segundo a imprensa sueca, os grupos de resistência que lutam pela democracia em sociedades totalitárias abem perfeitamente no âmbito do novo quadro jurídico.
Em comunicado à imprensa, o governo referiu que a nova lei irá criminalizar “todas as formas de apoio a organizações terroristas, independentemente de se tratar de assistência material ou assistência sob a forma de participação nas suas atividades”.
A lei é entendida como um passo importante para cumprir os termos do memorando trilateral que a Suécia assinou com a Turquia e a Finlândia em junho, que, para ser aceite na NATO, comprometeu o país a “impedir as atividades do PKK e de todas as outras organizações terroristas e suas extensões, bem como atividades levadas a cabo por indivíduos em grupos ou redes filiadas, inspiradas ou ligadas a essas organizações terroristas”. Um texto muito abrangente, onde de alguma forma cabe tudo o que a Turquia quiser – uma vez que é a Turquia que decide quem é o quê.
Segundo a imprensa do país, o ministro Gunnar Strommer recusou-se a comentar como a nova lei afetaria os esforços para processar membros e simpatizantes do PKK na Suécia. “Como a lei acaba a ser usada na prática é uma questão para as autoridades policiais”, disse. “O que podemos dizer é que todas as organizações terroristas terão agora que enfrentar um instrumento mais poderosa do lado da Suécia”.
Apesar de ter assinado o memorando com a Turquia, a Suécia não deu inicialmente mostras de grande empenho no assunto. Em pouco tempo, a Turquia acusou a Suécia de extraditar para o seu território turcos presos de delito comum na Suécia e não os que faziam parte de uma lista apresentada por Ancara.
Mais tarde, algumas cidades suecas foram palco de manifestações pró-curdas e anti-turcas – onde arderam várias coisas, entre elas exemplares do Corão e uma efígie que pretendia ser o presidente turco, Recep Erdogan.
De imediato a Turquia bloqueou as negociações para a entrada da Suécia na NATO e o plano ficou em suspenso até agora. Entretanto, a Finlândia chegou a acenar com a possibilidade de entrar sozinha na NATO – e não em parceria com a Suécia – o que numa primeira instância parecia ser possível. Mas, entretanto, esse plano ‘solitário’ acabou por ser também ele bloqueado, aparentemente porque, se fosse aceite, a NATO não se acharia convenientemente guarnecida na Escandinávia.
Resta agora saber se a decisão do governo sueco é suficiente para a Turquia reabrir as negociações para apoiar a entrada dos dois países na aliança atlântica.