A Sonaecom deixou oficialmente esta segunda-feira de ter qualquer ligação à Zopt, cerca de três meses depois ter anunciado o fim da parceria que tinha com a empresária angolana Isabel dos Santos. A empresa do grupo Sonae “recebeu” as 134.322.268 ações representativas de 26,07% do capital da NOS, que eram detidas pela Zopt.
Além disso, os administradores nomeados pela Sonaecom para integrar o conselho de administração da Zopt – mais precisamente, Ângelo Gabriel Ribeirinho dos Santos Paupério e Maria Cláudia Teixeira de Azevedo – renunciaram hoje aos cargos, segundo a informação transmitida esta tarde à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
A Zopt é uma sociedade que foi criada em 2012, surge da ‘fusão’ das marcas Zon e a Optimus e unia Isabel dos Santos à Sonae para investimento no sector das telecomunicações.
A Sonaecom conclui a mensagem enviada à CMVM por reiterar a sua intenção em “continuar a assegurar um quadro de estabilidade acionista favorável na NOS, que permita à empresa desenvolver o seu importante projeto no sector das telecomunicações”.
No final de setembro, a Sonae informou o mercado de que a Sonaecom resolveu o Acordo Parassocial que regia as relações entre as acionistas da Zopt e a amortização da sua participação na Zopt e, consequente, imputou à Sonaecom uma participação representativa de 26,075% do capital da NOS. O processo surgiu porque, dois anos após a polémica do Luanda Leaks, a Sonaecom deixou de ser acionista da Zopt, que se manteve na posse da Unitel International e da Kento Holding, de Isabel dos Santos, mas agora em exclusividade.
“À Sonae passa a ser imputada uma participação na NOS de cerca de 36,8% do capital social e dos direitos de voto nessa sociedade, por efeito da participação direta no capital e direitos de voto na NOS de que a Sonae é titular e da imputação indireta dos votos relativos à referida percentagem de 26,075% que, uma vez concluídos os trâmites, passará a ser diretamente detida pela sua subsidiária Sonaecom”, detalhou a subsidiária da dona do Continente.
Na prática, a Sonaecom passaria a deter uma posição de 26,075% na NOS, enquanto o grupo Sonae – proprietário da empresa com ativos nas áreas de tecnologia, media e telecom – ficaria com uma participação de controlo de 36,8% na operadora de telecomunicações presidida por Miguel Almeida.