Nos últimos cinco anos, a Sonae acumulou investimentos de seis mil milhões de euros – com a adição de 1,1 mil milhões em 2025 – revelou a CEO do grupo, Cláudia Azevedo, na apresentação do balanço do ano passado. A líder do grupo quis também deixar claro o investimento tem repercussões diretas no país. Entre outras razões, porque o grupo gastou 7,5 mil milhões de euros em compras a fornecedores portugueses em 2025, mais 21% que no ano passado.
Num quadro em que “a criação de valor a longo prazo” é uma das prioridades, o grupo tem atualmente mais de 57 mil colaboradores – número que será reforçado no exercício em curso. Cláudia Azevedo salientou que o grupo aplicou “mais de 1,1 mil milhões em salários e prémios, um aumento de 12% em relação a 2024”. A CEO do grupo disse, sobre esta matéria, que considera salutar que o país chegue a um acordo em termos das leis do trabalho – principalmente porque “estamos num quadro de pleno emprego e por isso é uma boa altura para o fazer”. Refira-se que o grupo detetou um impacto de dez milhões de euros decorrente das tempestades que assolaram o centro do país.
Consequência direta e indireta dos investimentos, o portefólio do grupo estava no final de 2025 avaliado em cerca de cinco mil milhões de euros, mais 5% que no ano anterior. O volume de negócios em 2025 cresceu 14% para os 11,4 mil milhões de euros com o contributo das novas aquisições realizadas ao longo do ano, mas, sem o contributo dessas aquisições, haveria ainda assim um crescimento, da ordem dos 9%.
No quadro geopolítico, “a nossa vontade é que as guerras acabem rapidamente”, mas como isso está longe de ser certo, “o principal cenário de futuro roda à volta do preço do petróleo”. “Toda a cadeia de valor é muito afetada pelo preço do petróleo. Já vivemos esse cenário: a cadeia de valor teve de se adaptar. Mas o cenário muda conforme a duração da guerra, é diferente a guerra durar uma semana, um mês ou um ano”, disse Cláudia Azevedo.
Neste momento, a inflação está controlada e é baixa – 3% no retalho alimentar. “Os clientes não estão ainda sentir a inflação. Não conseguimos antecipar o que vai acontecer no futuro. Se a guerra persistir, é natural que os consumidores venham a sentir. Garantimos que mexeremos nas margens para que os clientes sintam o menos possível os impactos”, disse o CFO do grupo, João Dolores. “Como líder do mercado, temos essa obrigação”, acrescentou a CEO do grupo.