Será que a IA sabe que a minha marca existe?

Durante anos, a relação entre consumidores e marcas foi mediada por motores de busca. A lógica era simples: quem dominava as palavras-chave da pesquisa ganhava visibilidade. Hoje, este modelo passou a ser mais complexo e difícil de definir, mais conversacional e menos previsível. Em vez de listas de links, surgem respostas. Em vez de cliques, recomendações sintetizadas por modelos de inteligência artificia

Será que a IA sabe que a minha marca existe?
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Cada vez mais pessoas recorrem a ferramentas como o ChatGPT ou o Gemini não apenas para esclarecer dúvidas, mas para comparar opções, validar escolhas e tomar decisões de consumo. Esta mudança é subtil, mas estrutural. E levanta uma questão central para as marcas: o que acontece quando o intermediário deixa de ser um motor de busca e passa a ser um modelo de linguagem?

Um estudo recente da Boston Consulting Group (BCG) mostra que esta transição já está a acontecer de forma profunda. O uso de ferramentas de inteligência artificial generativa (GenAI) relacionadas com compras cresceu 35 por cento entre fevereiro e novembro de 2025, e mais de 60 % dos consumidores expressam altos níveis de confiança nas respostas que a IA fornece para orientar decisões de compra. A pesquisa internacional indica ainda que a GenAI está a ser usada não só para grandes compras, mas também para as necessidades do quotidiano.

Especialistas explicam: Como a IA Generativa está a transformar o posicionamento e a confiança nas marcas

 Nesta análise sobre o impacto da IA generativa nas marcas, Filipe Lins Duarte e John Rice, fundadores da Peekaboo, partilham a sua visão sobre como posicionamento, notoriedade e confiança do consumidor estão a ser redefinidos pela nova mediação algorítmica.

  1. Como é que a ascensão da IA generativa obriga as marcas a repensarem conceitos clássicos como posicionamento e notoriedade? Os motores de busca de IA como o ChatGPT tendem a citar conteúdos que foram recentemente atualizados ou publicados, bem como conteúdos gerados por utilizadores em fóruns online como o Reddit e o Quora. Isto significa que as marcas precisam de estar mais atentas aos seus conteúdos online e estar presentes em novos canais de redes sociais que sejam relevantes para a IA.
  2. De que forma a organização e a clareza da informação de uma marca influenciam aquilo que os sistemas de IA selecionam, interpretam e devolvem aos utilizadores? Muito! Aqui, eu diria que boas práticas de SEO são ainda mais relevantes. É extremamente importante que o conteúdo esteja organizado e que tenhamos dados estruturados (ou seja, Schema Markup) nos nossos sites.
  3. Que impacto pode ter esta nova mediação algorítmica na confiança dos consumidores, num contexto em que a relação com as marcas deixa de ser direta? Eu diria que terá um impacto positivo na confiança do consumidor. As pessoas querem uma solução para os seus problemas o mais rápido possível, e os motores de IA como o ChatGPT fornecem-lhes respostas instantâneas. As pessoas já não precisam de visitar vários sites para poderem encontrar o que procuram.

A nova camada invisível entre marcas e consumidores

A emergência dos modelos de IA generativa criou uma nova camada de mediação. A informação já não é apenas indexada; é interpretada, reescrita, hierarquizada. As marcas deixam de falar diretamente com o consumidor e passam a dialogar também com sistemas que vão decidir o que é relevante, confiável ou recomendável. A clareza e fiabilidade passam a ser mais importantes do que nunca.

Neste contexto, a visibilidade assume um novo significado. Não se trata apenas de estar presente online, mas de ser compreendido por sistemas que aprendem a partir de padrões, contexto e coerência. Pequenas inconsistências, mensagens pouco claras ou conteúdos desestruturados podem significar o desaparecimento silencioso das respostas da IA.

A Peekaboo posiciona-se precisamente neste território ainda pouco explorado: ajudar marcas a compreender como estão a ser lidas, interpretadas e representadas por modelos de inteligência artificial e como podem adaptar a sua presença digital a esta nova lógica.

Mais do que antecipar tendências, trata-se de lidar com um presente em rápida transformação, onde a comunicação deixa de ser apenas humana, mas também algorítmica. As marcas passam a competir não só pela atenção das pessoas, mas também pela interpretação das máquinas.

Neste cenário, a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a ser um agente ativo na construção de significado. E isso coloca novos desafios éticos, estratégicos e criativos ao marketing contemporâneo.

5 Perguntas que Fazemos à Nossa Própria IA

  1. Se uma marca não aparecer nas respostas de IA, ela existe? Uma marca pode “existir” no Google, mas não necessariamente existir no ChatGPT ou Google Mode. É importante optimizar o conteúdo de uma página (escrita clara e estruturada, dados estruturados, etc.) para existir tanto no Google como na IA.
  2. A IA torna o marketing mais preguiçoso?Não, de todo! A IA distingue bons marketeres de maus marketers, e permite acelarar muito do trabalho manual que o Marketing envolve.
  3. Qual é o primeiro sinal de alerta que a IA encontra numa marca? A IA cita primeiro marcas que reconhece claramente como entidades confiáveis. Na prática,isto significa que a marca tem de ser consistente, reconhecível e validada por várias fontes.
  4. Criatividade ainda importa quando a IA cria conteúdos em segundos?Muito, e diria que a criatividade vai passar a importar ainda mais! É verdade que a IA cria conteúdo em segundos, ao mesmo tempo este super-poder passa a estar disponível para toda a gente. Quem for criativo e souber se diferenciar, irá ganhar.
  5. O que perguntamos mais vezes à nossa própria IA no dia a dia?Soluções para os nossos problemas. Tanto num contexto profissional como pessoal, vejo cada vez mais as pessoas a “falarem” com o ChatGPT e outros motores de IA a pedirem ajuda e conselhos para resolverem os seus problemas. Para as marcas, é importante que os seus produtos e serviços sejam recomendados como soluções.

Este artigo foi produzido em parceria com a Peekaboo.

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