Seis maiores economias da UE forçam organismo único de supervisão dos mercados

França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Polónia e Espanha querem centralizar a supervisão de grandes empresas financeiras transfronteiriças sob a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e Mercados, algo que pode gerar forte resistência por parte de países como Irlanda e Luxemburgo.

Seis maiores economias da UE forçam organismo único de supervisão dos mercados
EU Flags Are Lowered At Half Mast In Honor Of The Victims Of The Manchester Attack, Outside The EU Commission Headquarters In Brussels

As seis economias mais fortes da União Europeia querem centralizar a supervisão dos sistemas financeiros na Europa sob a tutela de um único regulador e acelerar o mercado único.

O grupo que foi designado de “E6” e que é composto pelos ministros das Finanças da França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Polónia e Espanha, defendeu este conceito numa carta de seis páginas dirigida à Comissão Europeia, ao Eurogrupo e ao Conselho Europeu, a que o “Politico” teve acesso.

Nesta missiva, é traçado um plano de trabalho relativamente a iniciativas e prazos que a Comissão Europeia deverá seguir este ano. Um dos objetivos definidos é “reforçar o potencial de crescimento da Europa, aumentar a sua soberania económica e fornecer uma base mais sólida para financiar prioridades comuns”.

Entre as propostas que podem vir a gerar alguma controvérsia está aquilo que o “E6” designa de criação de supervisão da UE sobre “as infraestruturas do mercado financeiro mais sistémicas, relevantes e transfronteiriças”, algo que pode criar uma forte resistência de um grupo de pequenos países, liderados pela Irlanda e Luxemburgo, que têm uma forte dependência dos seus setores financeiros e têm sérias reservas em ceder esse controlo à UE.

Ainda não tinha ao chegado ao cargo de comissária europeia para os mercados de capitais e Maria Luís Albuquerque já defendia que era necessário melhorar o sistema de supervisão ao nível europeu, no sentido de “reduzir ineficiências, obter economias de escala e criar confiança no funcionamento dos mercados”. Uma das soluções passava pela criação de um grande supervisor à escala europeia.

Nesse sentido, os líderes europeus têm vindo a discutir qual a melhor forma de acelerar os planos para 10 anos em Bruxelas no sentido de implementar um mercado financeiro ao estilo do norte-americano, após anos de discussões infrutíferas que acabaram por colidir com interesses nacionais. A Irlanda é uma das pedras na engrenagem e já avisou o “E6” que os países mais pequenos não podem ser colocados de lado nesta discussão.

Nesta carta, os ministros do “E6” consideram que a criação de uma “união de poupanças e investimentos tornou-se uma necessidade estratégica urgente” e ainda que se comprometem com a tomada de medidas em dois âmbitos: nacional e europeu. Também neste ponto, estes governantes contam com o apoio da comissária portuguesa que já este mês defendeu que existe um forte apoio a um Mercado Único mais aprofundado que possa levar ao avanço da União da Poupança e dos Investimentos. Objetivo: colocar as poupanças europeias a “financiar melhor o crescimento, a inovação e as oportunidades”.

Mas as mudanças defendidas pelo “E6” não ficam por aqui: querem a revitalização do mercado europeu para emissão de dívida, securitização, cunhagem de notas virtuais em euros e ainda a criação de um balcão único para empresas fundadoras. Além disso, os big6 querem maior transparência nos mercados bolsistas  e leis que simplifiquem as regras financeiras europeias.

Regulador único do mercado: uma batalha antiga

A proposta de um regulador único do mercado, que de forma simples teria um papel semelhante à supervisão do BCE para a banca, tem sido uma batalha antiga na UE e constantemente bloqueada nas instâncias europeias, sempre com a oposição de países mais pequenos e o pouco entusiasmo de uma voz decisiva nestas lides: a Alemanha.

Mas agora, o panorama mudou. As principais economias, sobretudo a alemã, acordaram para a necessidade de chegar a um acordo. Ao sentir essa mudança de ambiente, a Comissão Europeia avançou com a proposta oficial em dezembro do ano passado mas a verdade é que estas mudanças têm vindo a ser discutidas de forma não oficial desde a crise financeira de 2008.

Qual é o problema? o E6 não vai conseguir avançar sozinho com esta mudança porque terá de garantir uma maioria qualificada com o bloco europeu para aprovar esta proposta. Esse objetivo só será atingido com o apoio de 15 países que atinjam a cifra mágica de 65% dos países da UE

O plano de supervisão defendido pelo E6 resultaria numa centralização da supervisão de grandes empresas financeiras transfronteiriças, como bolsas de valores, sob a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e Mercados, com sede em Paris.

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