O Santander Totta registou nos nove meses um resultado líquido de 621,7 milhões de euros, que representa um incremento de 61,5%. Olhando só para o 3º trimestre, o banco liderado por Pedro Castro e Almeida registou lucros de 288,1 milhões, quase duplicando face ao segundo trimestre deste ano e duplicando face ao resultado do trimestre homólogo de 2022.
O banco tem uma rentabilidade medida pelo ROE, return on equity, de 21,7% o que traduz uma subida de 10,6 pontos percentuais face ao rácio obtido em setembro do ano passado.
O produto bancário ascendeu a 1.407,6 milhões de euros, o que traduz um crescimento homólogo de 50,8%. A justificar esta subida está o crescimento da margem financeira (+88,5%), que permitiu compensar a redução em 3,6% das comissões líquidas, para 345,7 milhões de euros, neste mesmo período.
O banco recorda que o produto bancário inclui os encargos com os Fundos de Resolução e com o Fundo de Garantia de Depósitos.
Num contexto de inflação, o Santander Totta regista uma subida dos custos operacionais, de 6,3% para 387,4 milhões de euros.
Ainda assim, o rácio de eficiência melhorou 11,5 pontos base para 27,5%.
O resultado antes de impostos e de interesses que não controlam ascendeu a 913,9 milhões de euros, um crescimento de 63,7% face ao período homólogo.
Os resultados da atividade seguradora ascenderam a 14,0 milhões de euros.
O CEO do banco refere no comunicado que “nos primeiros nove meses do ano, mantivemos uma trajetória de crescimento nos resultados que
apresentamos, com indicadores sólidos que nos têm permitido continuar a apoiar as famílias e as empresas. Tal apoio assume uma importância acrescida no atual contexto de subida de taxas de juro e de um elevado custo de vida”.
O rácio de capital CET1 ((fully implemented) está em setembro em 16,3%, ligeiramente abaixo dos 17,3% um ano antes.
Mais lucros e rentabilidade e um balanço a diminuir tem sido a tónica da banca e o Santander Totta não escapa à tendência. Um ativo líquido a cair 6,2% num ano é disso prova. O crédito a clientes (bruto) subiu 3,4%, muito à custa do crédito a empresas e a institucionais que avançou +13,9% para 20.733 milhões de euros no final de setembro.
Nos particulares o banco regista uma queda na carteira de crédito. O crédito à habitação caiu 4% face ao período homólogo para 22.144 milhões de euros e no crédito ao consumo a queda também foi de 4% para 1.753 milhões.
Os recursos de clientes registam uma descida de 7,5% para 43.221 milhões de euros, muito graças à queda de 9,7% dos depósitos que somaram 35.494 milhões de euros. O banco está aqui em contraciclo com alguns dos grandes bancos que têm feito tudo para manter ou subir os depósitos.
O banco liderado por Pedro Castro e Almeida explica que esta queda dos recursos de clientes está associada à amortização antecipada de crédito pelos clientes, assim como pela diversificação de recursos, que se materializou num crescimento das aplicações de clientes em
recursos fora de balanço.
No que se refere à qualidade da carteira de crédito, o Santander Totta continua a ter um dos rácios mais baixos do sector. O rácio de NPE (Non-Performing Exposure) fixou-se em 1,6%, o que traduz uma descida de 0,4 pp relativamente a setembro de 2022. Mas o custo do risco de crédito piorou ao fixar-se em 0,14% (um ano antes era negativo em -0,09%). O custo do risco de crédito corresponde ao fluxo das imparidades para crédito em percentagem do total do crédito bruto concedido a clientes.
No comunicado o Santander Totta refere que “o complexo contexto económico, de inflação persistente, de taxas de juro estruturalmente mais elevadas e de incerteza geopolítica, requereu do banco a continuação de uma política conservadora de monitorização dos riscos de crédito, materializada no montante de -61,3 milhões de euros da imparidade líquida de ativos financeiros ao custo amortizado”.
A imparidade líquida de ativos financeiros ao custo amortizado ascendeu assim a -61,3 milhões de euros, que compara com 10,0 milhões de euros (o sinal positivo corresponde a libertação de imparidades) registados no mesmo período de 2022.
As provisões líquidas e outros resultados, no montante de 44,9 milhões de euros (um aumento de 116,1% face ao mesmo período de 2022) “refletem o aumento dos encargos relacionados com a contribuição extraordinária sobre o setor bancário e com o adicional de solidariedade, assim como os impactos da alienação de ativos correntes detidos para venda realizada no mesmo período de 2022”.
O rácio LCR (Liquidity Coverage Ratio), calculado segundo as normas da CRD IV, situou-se em 138,7%, “cumprindo as exigências regulamentares em base fully implemented”.
O banco destaca ainda a transformação comercial e digital que tem vindo a executar que permitiu manter o crescimento da base de clientes de banco principal, em mais 61 mil, e de clientes digitais, em mais 84 mil, comparativamente com o final de setembro de 2022.
“A transacionalidade de clientes continuou igualmente a crescer, em 15%, face ao período homólogo, alicerçada no crescimento dos levantamentos de dinheiro e dos pagamentos de serviços através de cartões (em 2% e 44%, respetivamente)”, reporta o banco.
O Santander salienta também que é o banco que concedeu mais financiamento no âmbito do programa IFRRU 2020 – Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas, tanto no número de contratos efetuados, como ao nível de montante atribuído,
com um total de 454 milhões de euros, 45% do valor contratado pelo setor.