Retorno acionista gerado pela indústria seguradora a nível global sobe para 11%, segundo BCG

O retorno aos acionistas gerado pela indústria seguradora a nível global subiu para 11% em 2023, em comparação com 8% em 2022, de acordo com o estudo "The 2024 Insurance Value Creators Report: Even Within Lines of Business, Performance Varies Widely”, realizado pela Boston Consulting Group (BCG).

Retorno acionista gerado pela indústria seguradora a nível global sobe para 11%, segundo BCG
TWO Design, Claudia De Bruyn

De acordo com o estudo “The 2024 Insurance Value Creators Report: Even Within Lines of Business, Performance Varies Widely”, realizado pela Boston Consulting Group (BCG) o setor segurador gerou 810 mil milhões de dólares nos últimos cinco anos (entre 2019 e 2023) e o retorno médio aos acionistas neste período foi de 9% ao ano, verificando-se uma recuperação no ano passado impulsionada pelo aumento generalizado dos preços das ações.

O retorno aos acionistas gerado pela indústria seguradora a nível global subiu para 11% em 2023, em comparação com 8% em 2022, de acordo com o estudo.

Apesar do aumento do retorno aos acionistas (TSR), o investimento nos mercados de capitais globais em seguradoras avaliadas em mil milhões de dólares ou mais desceu para 2,4% em 2023, face aos 3,2% em 2022, explica o estudo.

Na nota a BCG refere que “apesar da valorização, o retorno médio aos acionistas entre 2019 e 2023 continua a ficar atrás de muitas outras indústrias, e nos últimos dez anos o setor tem, na maioria dos casos, apresentado retornos abaixo do custo de capital, estimados entre 8% e 11%”.

Ainda assim, nos últimos cinco anos, cerca de dois terços (67%) dos maiores grupos seguradores conseguiram gerar um retorno que superou o seu custo de capital, gerando em média um TSR de 19% ao ano, o que revela algum otimismo para o futuro.

Outra dificuldade que o setor segurador enfrenta é a perda de investimento, visto que atraiu menos capital comparativamente com os outros setores nos últimos cinco anos, perdendo quota no mercado global. Nesta linha, a percentagem de investimento nos mercados de capitais globais das seguradoras com um valor igual ou superior a mil milhões de dólares desceu de 3,2% em 2018 para 2,4% em 2023.

O estudo da Boston Consulting Group conclui também, que o segmento de seguros de propriedade ou dano (P&C) representou quase 40% do valor total gerado pela indústria seguradora entre 2019 e 2023, e a região da América foi responsável por mais de metade (52%) da criação de valor neste período.

Os seguros de propriedade ou dano (P&C) foram os que mais contribuíram para a criação de valor a nível global, gerando 316 mil milhões de dólares em cinco anos.

Destacam-se também os segmentos de seguros de vida e saúde (216 mil milhões de dólares) e de multisseguros (201 mil milhões de dólares), que representaram 26% e 25% da criação de valor global, respetivamente. Paralelamente, o segmento que menos criou valor nos últimos cinco anos foi o ressegurador, tendo gerado apenas 77 mil milhões de dólares, o que equivale a 10% do total do setor.

Do ponto de vista regional, a criação de valor nos últimos cinco anos concentrou-se na América, região que gerou cerca de 418 mil milhões de dólares, correspondendo a mais de metade (52%) do valor criado globalmente por esta indústria.

A zona da EMEA contribuiu com 286 mil milhões de dólares, equivalendo a cerca de 35% do total do setor segurador entre 2019 e 2023.

Já a APAC, por sua vez, gerou apenas 105 mil milhões de dólares, representando 13% do total.

“A nível global, as seguradoras precisam de melhorar a sua competitividade, sobretudo junto dos investidores. As condições de negócio e as oportunidades de criação de valor são distintas nas três grandes regiões económicas – Europa, Médio Oriente e África (EMEA), América, e Ásia-Pacífico (APAC) -, bem como nos principais segmentos da indústria – seguros de bens e acidentes, vida e saúde, resseguro e multisegmento”, defende a BCG.

O estudo analisa o desempenho das 103 maiores entidades seguradoras cotadas em bolsa a nível global e representa 30% da receita total da indústria seguradora e 85% da capitalização de mercado de todas as seguradoras cotadas.

 

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