Um discurso caloroso no parlamento israelita (o Knesset) foi o que o presidente da Câmara dos representantes do Congresso dos Estados Unidos, o republicano Kevin McCarthy, trazia no bolso para contento do atual governo, uma coligação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu com a extrema-direita. Único senão: o discurso dificilmente podia estar mais desalinhado com a postura da administração democrata liderada por Joe Biden – que optou por não apoiar muito do que o governo tem feito, nomeadamente no caso da alteração do regime da Justiça e do regresso à construção de colonatos.
Kevin McCarthy prometeu que os Estados Unidos continuarão a financiar totalmente as necessidades de segurança de Israel, enquanto denunciava a agressão iraniana no Médio Oriente, bem como os esforços do regime de Teerão para isolar Israel internacionalmente. Não é fácil perceber onde estarão esses esforços, mas não serão com certeza na ONU nem nos diversos fóruns onde os países ocidentais se costumam reunir. Talvez na Rússia!
Num discurso repleto de elogios a Israel e de citações bíblicas, bem ao gosto dos partidos religiosos com lugar no Knesset e no governo, McCarthy descreveu o país como um “milagre moderno” e insistiu no seu direito de defender-se de ataques. Falou também da importância do apoio bipartidário a Israel (tando de republicanos como de democratas) como crucial para o relacionamento entre os dois países – não tendo com certeza salientado o facto de Biden ainda não ter convidado Netanyahu a visitar a Casa Branca desde que este regressou ao poder, há já quase meio ano. Esta falta de convite é aliás um dos temas preferidos dos analistas para provarem que a importância de Israel na Casa Branca está a passar por um período de baixa do ciclo.
O próprio McCarthy disse em Israel que convidaria o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a visitar Washington se o presidente Joe Biden continuar a recusar-se a fazê-lo, mas disse que tal visita seria conduzida de forma alinhada, com reuniões entre republicanos e democratas.
O presidente da Câmara dos Representantes também avaliou o controverso programa do governo de revisão do poder judicial, dizendo que o controlo do poder por parte do executivo é crucial numa democracia, mas sustentou que a questão era um assunto interno de Israel que deveria ser resolvido pelos israelitas. Mas o apoio implícito nas suas declarações ficou registado – mais uma vez ao contrário do que se passa com a administração Biden. Este foi o primeiro compromisso internacional de McCarthy desde que foi empossado, em janeiro deste ano.
Entretanto, a morte na prisão de Khader Adnan, um ex-porta-voz da Jihad Islâmica que se tornou um símbolo da resistência palestiniana e que morreu após 87 dias de greve de fome, está a deixar Israel novamente nas mãos da violência. Adnan, de 45 anos, estava em greve de fome desde a sua prisão em 5 de fevereiro passado.
A Jihad Islâmica anunciou a sua promoção póstuma a comandante, dizendo que “Khader Adnan levantou-se como um mártir de um crime pelo qual a ocupação sionista tem responsabilidade total e direta”. O grupo militante palestiniano apoiado pelo Irã é responsável pela morte de dezenas de pessoas em Israel em atentados suicidas e ataques com mísseis.
Como seria de prever, ao longo do dia registaram-se vários incidentes entre os forças israelitas e os grupos armados palestinianos. Os israelitas alvejaram vários lugares conhecidos como pertencendo aos movimentos de resistência. Uma série de rockets foi lançada na direção de áreas adjacentes à Faixa de Gaza, o que fez com que o exército israelita disparasse artilharia em zonas orientais da cidade e de Khan Younis.