Regulador norte.americano acusa Apple de exclusão ideológia em app de notícias

A missiva surge após o escrutínio da aplicação de notícias "Apple News"  pelo Media Research Center, um grupo de vigilância de meios de comunicação conservadores, que acusou a Apple de manter uma "postura desafiadora contra a oferta de notícias de órgãos de direita".

Regulador norte.americano acusa Apple de exclusão ideológia em app de notícias
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A Apple enfrenta pressão política devido a alegações de que terá “suprimido sistematicamente” notícias publicadas por órgãos de comunicação social conservadores.

De acordo com a “BBC”, numa carta enviada à empresa, o dirigente da Federal Trade Commission (FTC) instou a Apple a rever as suas políticas, alertando que as empresas que suprimem ou promovem pontos de vista com base na ideologia podem estar a violar as normas de proteção do consumidor.

A missiva surge após o escrutínio da aplicação de notícias “Apple News”  pelo Media Research Center, um grupo de vigilância de meios de comunicação conservadores, que acusou a Apple de manter uma “postura desafiadora contra a oferta de notícias de órgãos de direita”. Um porta-voz da Apple recusou-se a comentar.

O Apple News (não disponível em Portugal) disponibiliza aos utilizadores acesso a reportagens de mais de 3 mil publicações, classificou-se como a aplicação de notícias mais popular nos EUA, Canadá e Austrália, e a segunda mais popular no Reino Unido em janeiro, de acordo com a empresa.

Os artigos exibidos são, normalmente, determinados por um algoritmo, que responde às interações e aos gostos pessoais dos utilizadores, indica a “BBC”.

A carta da FTC cita preocupações sobre um relatório do Media Research Center, o qual afirma que a aplicação não apresentou quaisquer artigos de órgãos de direita nas suas 20 principais notícias sugeridas aos leitores, no período da manhã, durante o mês passado.

As notícias sobre estas alegações têm sido amplamente partilhadas nos círculos mediáticos conservadores americanos, inclusive pelo Presidente dos EUA, Donald Trump.

A Apple afirmou que a sua aplicação se foca num jornalismo de “qualidade”, o qual não inclui conteúdos como blogues pessoais, material promocional ou reportagens de sítios Web que primariamente agregam ou reescrevem conteúdos de outros editores.

A empresa também proíbe notícias que contenham “imprecisões factuais” ou que, de outra forma, não sigam os “padrões jornalísticos amplamente aceites”.

A FTC não tem autoridade legal para forçar o Apple News a efetuar quaisquer alterações na sua plataforma ou nos seus processos.

Na carta divulgada pela FTC, o presidente Andrew Ferguson reconheceu os limites do seu poder, mantendo, no entanto, que a sua supervisão tem o seu lugar.

“A FTC não é a polícia do discurso”, escreveu ele. “Mas o Congresso incumbiu-nos de proteger os consumidores de omissões e declarações falsas e relevantes, inclusive quando o produto ou serviço oferecido aos consumidores é um produto relacionado com o discurso.”

“Incentivo-vos a realizar uma revisão abrangente dos termos de serviço da Apple e a garantir que a curadoria de artigos do Apple News é consistente com esses termos”, acrescentou.

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