Título à vista para as bandas da Luz. Qualquer resultado que não fosse a vitória dos azuis e brancos no terreno das águias seria uma espécie de triunfo sem três pontos para os pupilos de Jorge Jesus. Com a cabeça na classificação, os encarnados foram, acima de tudo, pragmáticos. O bi-campeonato que se avizinha será ganho com apenas uma vitória frente aos grandes (mas uma vitória que vale a conquista de uma Liga) e sem averbar qualquer derrota frente a FC Porto e Sporting . Pode-se dizer que é um campeão de serviços mínimos (que saiu muito cedo da Europa para estar fresco para a Liga) mas quando a concorrência não aproveita os deslizes alheios, os mínimos bastam. A performance da equipa de Jesus nesta Liga mostra também que pouco interessa vencer aos grandes se a missão frente aos mais pequenos não for cumprida. Nesse âmbito e sobretudo na Luz, as águias nem deram tempo para que as suas presas respirassem. Faltam quatro paragens ao Benfica para chegar ao título: Gil Vicente (o próximo adversário) e Guimarães fora e Penafiel e Marítimo na Luz. E ainda há a final da Taça da Liga para jogar, precisamente diante dos madeirenses.
Dragões querem manter pressão
Era o jogo do tudo ou nada para os portistas e os dragões saíram com muito pouco do Estádio da Luz após o apito final de Jorge Sousa. Abalroados a meio da semana em Munique, os pupilos de Lopetegui (é favor não trocar o nome a Julen) tinham a difícil tarefa de recuperar física e animicamente para dar a volta aos campeões nacionais e sair líderes do inferno da Luz. A tática prevaleceu e, sem espaço para grandes improvisos, tudo se mantém na mesma no topo de classificação. Ou seja, seria preciso que o Benfica perdesse quatro dos doze pontos que estão em disputa para que os dragões conseguissem impedir as águias de atingir um feito que há 30 anos (desde o tempo em que se falava sueco no banco da Luz) não é conseguido: ser bi-campeão. Ao FC Porto restam dois jogos em casa (Penafiel e Gil Vicente) e duas partidas fora (Belenenses e Vitória de Setúbal). Como costumam dizer os treinadores de futebol, o mais importante destes jogos é já o próximo: a deslocação a Setúbal não se adivinha fácil e os dragões querem manter a pressão às águias.
E agora, Lopetegui?
A partir de ontem tudo ficou muito mais difícil e, estando praticamente arredado de todas as competições, há quem já faça o rescaldo da época do FC Porto comandado por Lopetegui. O técnico basco pegou num clube que nada tinha ganho na época anterior com Paulo Fonseca e, mais de trinta e um milhões de euros depois, arrisca-se a deixar o clube no mesmo jejum esta temporada. E duas épocas em branco é algo a que o FC Porto de Pinto da Costa não está mesmo nada habituado. Dos 31,1 milhões de euros que os portistas gastaram esta temporada, o grosso do investimento (18,7 milhões de euros) foi direcionado para dois jogadores que mal se viram esta época: onze milhões pelo avançado Adrian Lopez e 7,7 milhões pelo holandês nascido no Barreiro Bruno Martins Indi. Investimentos que não deixarão de ser escrutinados pelos comentadores portistas por estes dias, sendo que muitos deles já atiraram a toalha ao chão. A questão de fundo, que não deixará de ser recordada pelos adeptos portistas, é que Lopetegui fez tanto como Paulo Fonseca no comando dos dragões, com a diferença que o técnico português não teve 31,1 milhões disponíveis em contratações… nem de perto nem de longe.
José Carlos Lourinho/OJE