Quantos universos cabem em dois pianos?

Filipe Raposo e Uriel Herman propõem um concerto exploratório no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Dia 30 de março, dois pianos vão ligar a herança musical do Médio Oriente e da Europa Ocidental.

Quantos universos cabem em dois pianos?
© Uriel Herman, Muperphoto

Dois nomes incontornáveis da música contemporânea portuguesa e israelita, os pianistas e compositores Filipe Raposo e Uriel Herman reúnem-se no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, para confrontarem a sua formação musical eclética que resulta, amiúde, numa sonoridade pianística singular que dará corpo ao concerto intitulado “Dois pianos, um universo”.

Ambos convocam três influências maiores no seu trabalho, a música clássica, o jazz e a música tradicional, e propõem-se neste encontro explorar os muitos universos que “cabem” no piano, enaltecendo a riqueza e diversidade das suas influências culturais musicais e, não menos importante, a sua paixão pela improvisação.

O pianista, compositor e orquestrador português tem colaborado com alguns dos principais nomes da música portuguesa – como Sérgio Godinho, José Mário Branco, Camané, Vitorino, Jorge Palma ou Rita Maria – e é uma figura conhecida também pelo seu trabalho como pianista residente da Cinemateca Portuguesa no acompanhamento de filmes mudos. A convite desta instituição compôs e gravou a banda sonora para as edições em DVD de filmes portugueses do Cinema Mudo, nomeadamente, “Lisboa, Crónica Anedótica” de Leitão de Barros, e “Nazaré, Praia de Pescadores” de Leitão de Barros.

Mas não só. Colabora regularmente como compositor em Cinema e Teatro, sendo autor, entre outros, da música original do documentário “Um corpo que dança – Ballet Gulbenkian 1965-2005”, de Marco Martins. E já lançou diversos álbuns em nome próprio, como “First Falls” (2011), “Inquiétude” (2015) e “Øbsidiana vol.2” (2022).

Uriel Herman é pianista de jazz e compositor e tem tocado pelo mundo inteiro nos principais festivais e casas de concertos, tanto a solo, como em quarteto. A sua sonoridade nasce de uma formação clássica em piano aliada ao domínio e mestria dos complexos ritmos e melodias do Médio Oriente. Em 2019, com a editora francesa Laborie Jazz, Uriel lançou “Face to Face”. O álbum inclui músicas originais e arranjos para músicas de David Bowie e Mordechai Zeira, e foi bem recebido no mundo inteiro. Em julho de 2023, será lançado o seu terceiro álbum a solo pela editora britânica Ubuntu Music.

No concerto “Dois pianos, um universo”, os dois artistas irão interpretar composições originais, resultado de uma residência artística em que os músicos exploram as possibilidades de sintonia na diversidade. A fechar o concerto, o coro ECCE, dirigido por Paulo Lourenço, interpreta obras ligadas ao cancioneiro Sefardita e à diáspora, conectando o passado e o presente cultural de Portugal e Israel.

Relacionado