Quantos nomes tem Leonilson?

Momentos íntimos e sensíveis dão a conhecer a obra de Leonilson, na primeira retrospetiva do artista brasileiro em Portugal. Para ver até 18 de setembro no Museu de Serralves, no Porto.

Quantos nomes tem Leonilson?
Quantos nomes tem Leonilson?

Nordestino, imigrante e homossexual, Leonilson (1957-1993), artista brasileiro, da Geração 80, tem a sua primeira retrospetiva em Portugal. Serralves apresenta em “Leonilson: Drawn 1975-1993” cerca de 250 trabalhos, organizados numa narrativa cronológica, multifacetada e expressiva, que tanto abarca desenhos, pinturas e esculturas, como bordados e documentação relacionada com viagens, a par de alguma correspondência com outros artistas, nomeadamente Albert Hien.

O universo deste artista brasileiro está povoado de ironia, humor e metáforas, e acompanham-nos nas suas paixões, viagens e confissões várias. A intimidade e o registo autobiográfico são uma constante em Leonilson, artista que privilegia os meios artesanais e as suas fragilidades, a par do poder das palavras.

Não se fechou no seu país e partiu para o mundo numa época de grande convulsão. Tornou-se um artista político e ao criticar o Brasil de então, a homofobia, a discriminação, a ditadura, traz de volta ao debate temas que hoje estão, novamente, na ordem do dia. A crítica não impede a beleza poética que estabelece entre os jogos semânticos que vai criando através das palavras e signos representados, como em “A grande pensadora” (1985), um dos primeiros trabalhos tridimensionais que Leonilson levou à XVIII Bienal de São Paulo, e dois de 1988, “As ruas da cidade” e “Os pensamentos do coração”.

A busca da transcendência através da arte

Nascido em 1957, Leonilson estudou arte em São Paulo entre 1978 e 1981. A sua principal influência artística foi a transavanguardia italiana, a que se vieram juntar Eva Hesse e Blinky Palermo, dois artistas que conheceu pessoalmente durante as suas viagens pela Europa.

E o que vem a ser isso da transavanguardia? Surgido em finais dos anos 1970, este movimento ficou marcado pelo regresso à figuração, à mitologia antiga e a um intenso uso da cor. Uma exposição de têxteis da seita cristã americana Shakers assinala um momento-chave do início da carreira do artista

Em 1991, após ter sido diagnosticado com SIDA, muda radicalmente a sua linguagem visual. A deterioração da sua saúde leva-o a preocupar-se com a morte e ganha contornos diarísticos. Até 1993, ano da sua morte, a linguagem e a abstração passaram a ter um papel dominante, assim como elementos religiosos formais e visuais.

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