PSA Sines acelera digitalização e molda o futuro do transporte marítimo

A modernização tecnológica, a aposta na intermodalidade e o compromisso com a descarbonização estão a reposicionar o Terminal XXI no centro das cadeias globais de valor. Em entrevista ao Jornal Económico, a CEO da PSA Sines, Nichola Silveira, revela como o terminal está a reforçar a eficiência operacional, a sustentabilidade e a competitividade, antecipando as grandes tendências que vão transformar o transporte marítimo nos próximos anos.

PSA Sines acelera digitalização e molda o futuro do transporte marítimo
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Como é que a PSA Sines está a acelerar a modernização e digitalização das operações logísticas e o transporte de mercadorias?

A PSA Sines tem vindo a investir em tecnologias digitais para otimizar processos e aumentar a eficiência operacional. As principais iniciativas incluem:

  • Automação de equipamentos e integração com sistemas de gestão em tempo real;
  • Plataformas digitais para planeamento e monitorização das operações, garantindo maior previsibilidade e redução de tempos de espera;
  • Soluções de análise avançada de dados, que permitem decisões mais rápidas e baseadas em informação fiável;
  • Melhoria contínua dos níveis de serviço para reforçar parcerias com clientes e entregar valor acrescentado;
  • Priorização da segurança e bem-estar dos colaboradores através de protocolos robustos e práticas inovadoras no local de trabalho.

Estas medidas contribuem para uma cadeia logística mais ágil, resiliente e preparada para responder às exigências do comércio global.

De que forma a intermodalidade entre transporte ferroviário, marítimo e rodoviário pode contribuir para reduzir a pegada de carbono e promover uma logística mais sustentável?

A intermodalidade é um pilar essencial para a sustentabilidade logística. Ao combinar transporte marítimo, ferroviário e rodoviário, conseguimos reduzir a dependência do transporte rodoviário, que tem maior impacto ambiental. O transporte ferroviário, com menor emissão por tonelada transportada, assume um papel central na ligação entre o porto e os centros logísticos do interior, enquanto o transporte marítimo, já eficiente em termos energéticos, é complementado por soluções terrestres mais verdes, criando corredores logísticos de baixa emissão.

Para além da intermodalidade, a PSA Sines tem vindo a reduzir proactivamente a sua pegada de carbono na operação logística interna. Nos últimos anos, investimos em equipamentos elétricos e em combustíveis alternativos ao diesel convencional, como o HVO100, que permite reduzir cerca de 85% das emissões. Este modelo contribui diretamente para os objetivos nacionais e europeus de descarbonização, promovendo uma cadeia de valor mais sustentável e competitiva.

Para permitir uma maior transferência modal, é também essencial desenvolver a infraestrutura adequada e produtos adaptados que possibilitem uma oferta intermodal completa e competitiva, como por exemplo:

  • Terminais ferroviários dedicados e linhas dentro da área portuária para garantir uma transferência eficiente de carga;
  • Hubs intermodais modernos no interior, equipados para manuseamento e armazenamento de contentores;
  • Ligações ferroviárias melhoradas com maior capacidade e eletrificação para reduzir emissões;
  • Plataformas digitais para planeamento integrado e rastreamento em tempo real entre todos os modos;
  • Melhorias no acesso rodoviário para suportar a ligação entre o primeiro e o último km.

De que forma estão a inteligência artificial e a Internet das Coisas a transformar a gestão de frotas e armazéns na PSA Sines e que ganhos concretos já são visíveis?

Na PSA Sines, a integração de Inteligência Artificial e Internet das Coisas tem vindo a transformar significativamente a gestão de frotas e armazéns. Os sistemas e dispositivos tecnológicos que asseguram a proteção do Terminal já incorporam IA, o que nos permite uma capacidade de resposta superior e um nível de serviço mais abrangente.

Por outro lado, a gestão da frota e dos armazéns assenta em plataformas e sistemas automatizados que utilizam processos avançados de análise de dados (data analytics). Esta abordagem promove maior eficiência, reduz tempos não produtivos na nossa cadeia logística interna e, consequentemente, incrementa a disponibilidade e fiabilidade da frota. Estes ganhos concretos traduzem-se numa operação mais ágil, segura e orientada para a excelência.

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Como é que a evolução para a gestão de infraestruturas e portos inteligentes está a reforçar a posição de Sines nas cadeias globais de valor e a apoiar a competitividade das empresas que operam no terminal?

A transformação para um porto inteligente coloca Sines na vanguarda da logística global:

  • Infraestruturas conectadas permitem maior integração com parceiros internacionais;
  • Sistemas digitais de planeamento e tracking aumentam a transparência e previsibilidade para os clientes;
  • Capacidade de resposta rápida a variações na procura reforça a confiança nas cadeias de abastecimento globais.

Este posicionamento atrai novos investimentos e garante às empresas que operam no terminal um ecossistema competitivo, alinhado com as exigências da Indústria 4.0. Além disso, estes avanços geram benefícios significativos para a região, o porto e a comunidade local — criando emprego, fomentando inovação e promovendo um crescimento económico sustentável.

Quais são hoje os principais desafios na captação e retenção de talento e como está a PSA Sines a preparar as equipas e a captar talento para responder às novas competências exigidas pela mobilidade e logística 4.0?

Os principais desafios incluem:

  • Escassez de perfis especializados em tecnologias digitais, automação e engenharia;
  • Competição global por talento em áreas como IA, análise de dados e cibersegurança.
  • Mão-de-obra disponível na Região.

Para responder a estes desafios, a PSA Sines como principal empregador da Região,  aposta em:

  • Programas de formação contínua, preparando as equipas para novas competências e adaptação às mudanças da área de negócio;
  • Parcerias com instituições de ensino, para captar jovens talentos e promover estágios técnicos;
  • Políticas de valorização e bem-estar, criando um ambiente atrativo e sustentável para retenção, com programas de saúde e bem-estar promovidos através de parcerias estabelecidas com o comércio local e que beneficiam não só os colaboradores da PSA, como também a economia local;
  • Oportunidades de desenvolvimento de carreira, associadas a investimento contínuo em programas de desenvolvimento de talento.

O objetivo é garantir uma força de trabalho preparada para os desafios da logística 4.0, mantendo a competitividade e a inovação.

Pergunta do Diretor do Jornal Económico:

Quais são as principais tendências que vão moldar os transportes marítimos nos próximos anos?

O setor dos transportes marítimos está a atravessar uma transformação profunda que continuará a acelerar nos próximos anos, marcada sobretudo pela digitalização e automação, pela descarbonização, pela evolução das frotas e pela necessidade de cadeias de abastecimento mais resilientes.

A adoção de tecnologias como inteligência artificial, analítica avançada, automatização de terminais e digitalização documental vai tornar as cadeias logísticas mais eficientes, seguras e previsíveis, enquanto a pressão regulatória e ambiental impulsiona o investimento em combustíveis de baixo carbono, soluções híbridas e operações mais sustentáveis. Paralelamente, a tendência para navios de maior capacidade continuará a exigir portos preparados, com águas profundas e operações altamente eficientes, capazes de responder à crescente concentração de rotas.

Ao mesmo tempo, as disrupções recentes demonstraram a importância de cadeias logísticas robustas, diversificadas e colaborativas, com maior visibilidade ponta-a-ponta e agilidade para se adaptar rapidamente às flutuações do mercado e a eventos imprevistos.

Na PSA Sines, estamos totalmente alinhados com esta evolução, investindo continuamente em tecnologias, infraestruturas e talento para assegurar que Portugal se mantém um nó estratégico nas rotas globais do comércio marítimo.

Este conteúdo foi produzido em parceria com a PSA Sines. 

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