Primeiro-ministro do Iraque em visita à Turquia

A Turquia continua a fazer todos os possíveis para ser um país incontornável na região. Com as placas tectónicas do xiismo e do sunismo em forte movimentação, Ancara não quer perder nada do seu prestígio internacional.

Primeiro-ministro do Iraque em visita à Turquia
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O presidente turco Recep Erdogan recebeu esta terça-feira o primeiro-ministro iraquiano Mohammed Shia al-Sudani em Ancara. A visita ´´e mais um passo de Erdogan para aumentar a sua influência regional num quadro em que pretende ser uma das potências a atuar no Médio-Oriente.

Numa altura em que as placas tectónicas do xiimismo e do sunismo estão a mexer de forma muito vincada, a Turquia optou por fazer valer a sua influência junto dos primeiros, na tentativa de se manter equidistante entre as duas fações. A Turquia é um país sunita, mas as bases da sua religiosidade estão distantes do wahabismo da Arábia Saudita.

Al-Sudani e Erdogan discutiram as relações bilaterais, o desenvolvimento regional, os esforços de contraterrorismo, a reconstrução do Iraque, a cooperação energética e as relações comerciais.

O Iraque está a passar por uma fase de forte tensão política – como sucede de forma ininterrupta nos últimos vinte anos – com as forças internas em confronto.

Al-Sudani formou seu gabinete em outubro de 2022, após quase 13 meses de turbulência política, já que os partidos iraquianos não conseguiram chegar a um acordo sobre a formação do novo governo do país desde as eleições gerais.

O país enfrentou meses de impasse político depois de o poderoso líder xiita Muqtada al-Sadr, o vencedor das últimas eleições, não ter conseguido reunir apoio suficiente para formar um governo. Al-Sadr retirou os seus parlamentares e em agosto anunciou que deixaria a política, provocando a pior violência em Bagdad em vários anos.

Recorde-se que, sob um sistema de partilha de poder projetado para evitar conflitos sectários, o presidente do Iraque é curdo, o seu primeiro-ministro é xiita e o presidente do Parlamento é sunita. Tal como sucede no Líbano, a comunidade internacional tem sérias dúvidas sobre as qualidades do sistema no que tem a ver com o funcionamento das instituições. Já quanto à sua democraticidade, as dúvidas são poucas: não há verdadeiramente uma democracia.

Por seu lado, a Turquia terá eleições presidenciais e parlamentares em maio próximo – e o braço internacional de Erdogan continua a ser um dos seus mais preciosos trunfos, numa altura em que a oposição parece ter hipóteses firmes de complicar a vida ao atual presidente (que quer ser reeleito) e ao regime presidencialista que foi implementando na última década.

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