“The task of leadership is to create an alignment of strengths in ways that make a system’s weaknesses irrelevant”. A frase é de Peter Drucker, nascido na Áustria no início do século XX e naturalizado norte-americano em 1943, consultor, professor e autor de vários livros e pensamentos sobre liderança organizacional aplicada à gestão.
Peter Drucker é para muitos considerado o pai da administração moderna. Esta citação junta três palavras fundamentais numa só frase – Liderança, Forças e Fraquezas – e, com extrema simplicidade, conclui sobre a primeira, tratando as outras duas com igual importância e, acima de tudo, evitando cair na ameaça vã de tentar o sistema perfeito, inexistente, portanto.
No final da Segunda Guerra Mundial, Drucker ajudou várias empresas japonesas a transformarem-se num contexto de total devastação. Comparar o mundo de 1945 com o mundo de 2021 só faz sentido numa única perspetiva – a possibilidade de se repensarem as sociedades e o seu tecido produtivo. Em Portugal, como na grande maioria dos países, a devastação económica causada pela pandemia de Covid-19 rompeu com ciclos de crescimento, aumentou desigualdades e o desemprego para níveis raramente vistos, acentuando um empobrecimento cada vez mais generalizado.
O presente oferece, no entanto, a possibilidade de pensar o futuro contando com um estímulo financeiro sem precedentes. Exige-se agora, mais do que nunca, que os países planeiem bem, rápido e executem melhor. Ora, planeamento, rapidez e execução é uma tríade pouco frequente em Portugal, menos ainda se o sucesso do resultado final estiver condicionado ao sucesso individual dos três vetores que a compõem. Qual a matriz de decisão que Peter Drucker desenharia para Portugal?
Portugal tem talento e excelência individual, mas falta-lhe uma convivência mais regular com o conceito de excelência em geral. Da mesma forma que Portugal tem exemplos de organizações geridas na base da meritocracia, sem que esse conceito seja transversalmente conhecido na sociedade. Assim, um primeiro caminho poderia passar por aproximar as pessoas mais qualificadas dos cargos de planeamento. Para tal, o conceito de poder deveria ser revisto com a sua abdicação generosa em prol de um processo frio e objetivo na seleção das pessoas que “pensam” Portugal.
Um outro objetivo poderia passar pelo melhor aproveitamento dos benefícios inerentes à vida numa sociedade global. Os casos de sucesso na adoção de algumas medidas essenciais são rapidamente acessíveis através de um aparelho que cabe na nossa mão. A necessidade de incorrer em processos de criação dita original em vez da adoção eficiente das melhores práticas originárias de outros países é muitas vezes um ato de desperdício de tempo e de recursos. Assim, a tomada de decisão deveria sempre, e sem exceção, recair na hipótese que faz o uso mais inteligente dos recursos disponíveis.
Finalmente, um último pensamento ligado à seriedade e à ética. Talvez a razão de se escrever muitas vezes a palavra plural “destinos” quando se fala de um país esteja relacionada com a soma do resultado dos destinos individuais das pessoas que o formam. Seriedade é uma palavra conhecida de todos, percebida por alguns e enraizada em poucos. Garantir um processo sério na tomada de decisão não só prepara melhor e da forma mais justa a sociedade do futuro como evita problemas na altura de prestação de contas ligada à execução dos fundos.
Excelência, eficiência e seriedade têm em comum o facto de serem palavras aplicadas a sociedades evoluídas em geral e a organizações bem geridas em particular. No caso de Portugal, talvez Drucker começasse por identificar algumas características fundamentais necessárias às pessoas que pensarão o futuro e isso seria, em si mesmo, uma enorme força.