Portugueses desenvolvem soluções para proteger hospitais de ciberataques

Projeto Rescueware quer garantir recuperação rápida de dados e evitar paragens nos serviços . Esta é uma iniciativa portuguesa que pretende reforçar a proteção digital no setor da saúde.

Portugueses desenvolvem soluções para proteger hospitais de ciberataques
Rescueware 2

O que acontece quando um hospital fica sem acesso aos seus sistemas informáticos devido a um ataque de ransomware? A resposta pode traduzir-se em consultas adiadas, cirurgias canceladas e riscos acrescidos para os doentes. É para evitar esse cenário que surge o projeto Rescueware, uma iniciativa portuguesa que pretende reforçar a proteção digital no setor da saúde e assegurar a rápida recuperação da informação crítica.

O projeto junta o INESC TEC, a InvisibleLab e a Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), que funcionará como unidade piloto. O objetivo é desenvolver soluções capazes de proteger sistemas hospitalares, detetar ataques e recuperar dados de forma eficiente, reduzindo o impacto na prestação de cuidados.

“Num ambiente hospitalar, onde os dados são atualizados continuamente e suportam decisões clínicas em tempo real, a indisponibilidade dos sistemas pode comprometer diretamente os cuidados prestados. Por isso, garantir uma recuperação rápida e integral da informação é uma condição crítica para assegurar a continuidade dos serviços e a segurança dos doentes”, explica Francisco Cruz, fundador da InvisibleLab.

O ransomware é um tipo de software malicioso que bloqueia o acesso a sistemas ou cifra ficheiros, exigindo depois o pagamento de um resgate para restaurar os dados ou evitar a sua divulgação. Portugal já enfrentou vários casos, como o ataque ao Hospital Garcia de Horta, em 2022, que levou ao adiamento de consultas e cirurgias, ou o incidente na Fundação Champalimaud, em 2019, que causou paragens durante quase dois dias.

A crescente digitalização dos hospitais torna-os alvos particularmente vulneráveis. A dependência de sistemas informáticos para registos clínicos, diagnósticos e coordenação de cuidados, aliada à existência de dados sensíveis e à necessidade de retomar rapidamente a atividade, aumenta o interesse dos cibercriminosos. Muitas unidades utilizam ainda infraestruturas tecnológicas antigas, o que agrava o risco.

“Num contexto hospitalar, um ataque de ransomware pode comprometer a continuidade assistencial, a segurança da informação e a confiança nas instituições”, refere Orlando Dantas, responsável de cibersegurança da ULSAM. “A participação da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, enquanto unidade piloto deste projeto, traduz o seu compromisso com o reforço da resiliência digital e da proteção dos sistemas críticos”, sublinha.

A solução proposta pelo INESC TEC aposta não só na deteção precoce de ataques, mas também na recuperação total e eficiente dos dados afetados. Estas ferramentas serão integradas em protótipos desenvolvidos pela InvisibleLab e testadas em ambientes que simulam infraestruturas hospitalares reais.

“As soluções para a deteção de ataques de ransomware são extremamente importantes, mas, por vezes, não conseguem identificar estes ataques de todo ou fazem-no tardiamente, depois de a informação crítica já estar comprometida”, explica João Paulo, investigador responsável pelo projeto no INESC TEC. “Desta forma, é fundamental conciliar estas soluções com mecanismos que permitam a recuperação eficiente de dados potencialmente comprometidos, reduzindo perdas monetárias avultadas para as instituições, por exemplo, evitando o pagamento de resgates”, acrescenta.

Com duração prevista de três anos e cofinanciado pela União Europeia, através do Programa Regional NORTE 2030, o Rescueware inclui também ações de formação em ciberhigiene para profissionais de saúde. A ambição é clara: aumentar a resiliência digital dos hospitais e proteger um setor onde falhas tecnológicas podem ter consequências diretas na vida dos doentes.

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