Portugal viu o património financeiro crescer para 500 mil milhões em 2022

O património financeiro a nível mundial caiu 4% em 2022 para 255 biliões de dólares, e é a primeira queda em mais de uma década. Portugal, ao contrário, viu o patriónio crescer em 2022. Um estudo da BCG diz que Hong Kong vai ultrapassar a Suíça como maior centro de reservas patrimoniais do mundo.

Portugal viu o património financeiro crescer para 500 mil milhões em 2022
TWO Design, Claudia De Bruyn

Segundo o estudo “BCG Global Wealth Report 2023: Resetting the Course”, realizado pela Boston Consulting Group (BCG), o património financeiro a nível global cai 4%, em 2022, para 255 biliões de dólares, diminuindo pela primeira vez em mais de uma década. Mas Portugal está em contraciclo, já que registou um crescimento de 1% do património para 500 mil milhões de euros.

O dinheiro vivo e depósitos mantêm-se como a classe de ativos predominantes em Portugal, perfazendo quase metade do património, revela a Boston Consulting Group.

O estudo prevê um crescimento sustentado de 3% por ano até 2027. Pedro Pereira, Managing Director and Senior Partner da BCG em Portugal destaca que “a economia portuguesa mostrou uma grande resiliência em 2022 e a evolução do património total em Portugal está em linha com essa tendência positiva. Mas, o perfil conservador dos portugueses não mudou e, por isso, a alocação do capital mantém-se face a anos anteriores”.

“Apesar da perspetiva de crescimento de 3,1% por ano até 2027, é importante que os diferentes players do setor se prepararem para o futuro, para um crescimento consistente a longo prazo”, acrescenta.

“O aumento da inflação e, consequentemente, das taxas de juro, e o fraco desempenho do mercado acionista resultante da incerteza geopolítica provocada pela guerra na Ucrânia” contribuíram para o primeiro declínio desde a crise de 2008 do património financeiro a nível mundial. Mas a BCG diz que se prevê uma recuperação dos níveis globais de riqueza para 267 biliões de dólares em 2023.

Portugal representa 1,1% do património da Europa Ocidental, “valor que tem sido constante nos últimos anos”.

Simultaneamente ao panorama global, o património financeiro na Europa Ocidental também caiu, perdendo 3%, isto é, cerca de um bilião de dólares. “Até 2027, Portugal deve crescer 3% por ano, abaixo da Europa Ocidental (4%) e do resto do mundo (5%)”, revela a BCG.

Em Portugal, e à semelhança dos anos anteriores, “o dinheiro vivo e os depósitos mantêm-se como a classe de ativos predominantes em Portugal, perfazendo um total de 49% da riqueza, substancialmente acima do verificado na Europa Ocidental (32%) e no mundo (30%)”.

A BCG revela ainda que desde 2017, a alocação da riqueza em Portugal tem tido ligeiros ajustes, com o peso dos depósitos a aumentar de 45% para 49% e o investimento em fundos de pensões a diminuir de 17% para 13%. “Espera-se que a preponderância da classe de depósitos e dinheiro vivo se mantenha uma vez que esta categoria deverá crescer 3,6% por ano”, acrescenta o estudo.

Relativamente à distribuição de património em Portugal, a maioria (54%) é detido por pessoas com um património total abaixo de 250 mil dólares, sendo que o segmento de fortunas superior a 100 milhões de euros detêm 10% da riqueza. Contudo, espera-se que o peso relativo do segmento de pessoas com mais património suba 1 ponto percentual (p.p.), enquanto o segmento de indivíduos com património total abaixo de 250 mil dólares siga o sentido inverso, diminuindo 2 p.p. Um crescimento da mesma ordem ocorrerá no segmento entre os 25 e os 100 milhões de dólares, que irá passar a deter 7% da riqueza em Portugal em 2027 (vs. 6% em 2022). Já a percentagem da riqueza nas mãos de portugueses com um património entre os 250 mil e o milhão de dólares permanecerá nos 12%.

Hong Kong vai ultrapassar a Suíça como maior centro de reservas patrimoniais do mundo

Na análise a nível global, a BCG estima que, nos próximos cinco anos, sejam criados 74 biliões de dólares só em riqueza. A Suíça permanecerá um centro financeiro e de gestão de património altamente atrativo, mas espera-se que, até ao final de 2025, seja ultrapassada por Hong Kong como o maior centro de reservas patrimoniais do mundo. Contudo, a região autónoma de Hong Kong irá enfrentar uma forte concorrência de Singapura, que é cada vez mais percecionada como uma porta de entrada segura para a Ásia-Pacífico.

O estudo revela que, geograficamente, em 2022 o nível de património continuou a subir na Ásia-Pacífico (+2%), no Médio Oriente e África (+8%) e na América Latina (+9%). Em contracorrente, diminuiu na América do Norte (-8%), na Europa Ocidental (-3%) e de Leste (-2%). A discrepância geográfica irá continuar até 2027.

“Prevê-se que a Ásia-Pacífico tenha o maior aumento com uma taxa de crescimento anual (CAGR) de 7,8%, seguida pelo Médio Oriente e África (7,7%). Na América do Norte, o aumento será mais lento: 4,7% até 2027, seguida da Europa de Leste (5%) e, finalmente, a Europa Ocidental (3,9%)”, segundo a análise da BCG.

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