Segundo uma análise divulgada hoje pela Zero- Associação Sistema Terrestre Sustentável, se todos os países tivessem a mesma pegada ecológica que Portugal, “seriam necessários 2,3 planetas” para responder ao consumo. Este foi o alerta do presidente da Zero, Francisco Ferreira, no Dia Mundial do Ambiente.
“Se todos os atuais habitantes do planeta fizessem um uso dos recursos igual àquele que os portugueses estão a fazer, a 5 de junho, precisamente no Dia Mundial do Ambiente, nós esgotaríamos os recursos renováveis do planeta”, disse.
A pegada ecológica média de cada português, que relaciona o consumo de recursos naturais e a capacidade de resposta da natureza, aumentou 73% entre 1961 e 2013, ocupando Portugal o 9.º lugar entre os países mediterrânicos, informa a Lusa.
O défice ecológico do país aumentou continuamente até ao início dos anos 2000, registou uma redução a partir desde 2006 e “deve-se tanto a um elevado grau de dependência dos recursos e da biocapacidade do exterior como à utilização excessiva dos recursos locais”, resume a associação.
De acordo Francisco Ferreira, a explicação deve-se a três motivos: Um deles derivado do tipo de alimentação que os portugueses têm, onde ainda prevalece o consumo de carne e de peixe, o que, do ponto de vista dos recursos, é “significativo”.
“Em comparação com uma alimentação onde vamos buscar o primeiro nível da cadeia alimentar, com menos carne, menos peixe e mais vegetais, isto tem um impacto muito grande nos recursos”, apontou.
Responsabilizou também as emissões de dióxido de carbono, sobretudo ao nível da mobilidade, e a dependência em relação aos combustíveis fósseis, como o petróleo, o gás natural ou o carvão, cujo “impacto é extremamente elevado, por pessoa, principalmente associado ao uso do automóvel, mas também à produção de eletricidade”.
Em terceiro lugar, o presidente da Zero destacou a economia circular, referindo que Portugal usa “muitos recursos desnecessariamente”, e que os portugueses substituem muito os equipamentos, fazem “demasiadas” compras, desde vestuário aos eletrodomésticos, com muitos destes materiais a terem um fim num aterro.
Defendeu, por isso, que é preciso uma mudança de paradigma e de mentalidade “muito profunda”.