1 Como devem as empresas preparar-se para entrar nas exportações?
António Ramalho
Presidente do Novo Banco
1 – As empresas não devem entender os mercados internacionais como a solução para os seus problemas económico-financeiros. Exportar é acima de tudo o resultado das vantagens competitivas, de inovações de produto ou de processo, da qualidade percecionável além-fronteiras. Exportar é sair de um mercado interno limitado em número de consumidores geralmente homogéneo e antecipável para tentar um mercado ilimitado mas com diferentes culturas de consumo, diferentes ambientes regulatórios, diferentes modelos de distribuição. Para nos prepararmos, precisamos de ter o parceiro financeiro ideal, naturalmente o Novo Banco, termos a melhor informação e o melhor acompanhamento. Também precisaremos, por vezes e em certas geografias, de parceiros locais.
2 – Podem começar por ir ao Portugal Exportador 2016. O Portugal Exportador é o nosso Export Summit. Podemos conhecer novos mercados sem viajar, conhecer clientes ou fornecedores, porque esta feira é acima de tudo um enorme espaço de networking para quem ambiciona exportar. O nosso objetivo é criar um conceito de plataforma de negócios “low cost high value”. Mas não esqueçamos o fenómeno da digitalização na abordagem a novos mercados. Os novos empreendedores têm hoje ferramentas para exportação que não tinham há 5 anos. O fenómeno das redes sociais e das vendas online, fazem de uma startup uma unicórnio à velocidade de um clique, e isso não pode ser ignorado. Por isto, este ano, desafiamos uma das maiores redes de social selling a ser orador no Portugal Exportador.
3 – Mais do que uma missão ou um desígnio, trata-se da sobrevivência das empresas. Vamos olhar para quatro setores, como exemplo. No Turismo, no Têxtil e Vestuário, Calçado e Metalomecânica são setores crescentemente empregadores, batem recordes de volume de negócios para os mercados externos e competem com os melhores a nível mundial. O que têm em comum? Numa análise rápida, vemos que todos apostam em mercados maduros, sofisticados e exigentes, têm uma inigualável flexibilidade e capacidade de resposta e apostaram na inovação. Resultado: uma qualidade percecionada pelos clientes internacionais e seguramente uma base sustentada de crescimento.
2 O que podem as exportadoras fazer para aumentar o ritmo de negócios?
Miguel Frasquilho
Presidente da AICEP
1 – Têm de ter a capacidade de perceber porquê e de que forma conseguem ultrapassar os fatores que estão a condicionar a sua estratégia. É preciso ir ter com os potenciais clientes e acompanhá-los de perto. Com este enquadramento facilmente se percebe que é preciso ter capacidade (humana e financeira) para sustentar este processo – porque a internacionalização é um investimento (estratégico). Aliás, os nossos empresários e as nossas empresas, ao invés de concorrerem entre si, concorrem, isso sim, com empresas de todo o mundo.
2 – Na AICEP procuramos sempre sensibilizar as empresas para, antes de se internacionalizarem, prepararem uma boa estratégia de abordagem aos mercados. As empresas têm de definir o caminho a seguir para que o possam percorrer e ajustar sempre que for necessário porque só com uma abordagem estruturada se consegue uma melhor eficácia na alocação de recursos (humanos e financeiros). Outra característica fundamental é a capacidade de resiliência: o processo de internacionalização é longo e demorado, raramente acontece num horizonte temporal reduzido. É por isso que as empresas não podem desistir quando não há respostas ou interesse de potenciais clientes estrangeiros.
3 – Nunca se exportou tanto no país, mas é preciso termos noção de que o mundo é muito competitivo: apesar de as nossas exportações terem ultrapassado, pela primeira vez em 2015, 40% do PIB, a verdade é que ainda temos um longo caminho a percorrer para nos equipararmos a países com dimensão semelhante a nível europeu, cujo peso das exportações ultrapassa 50%. Mas temos, sem dúvida, condições para lá chegar em poucos anos! Como costumo dizer, a AICEP não exporta, nem investe – são as empresas que o fazem -, mas tem um papel muito ativo no apoio aos nossos empresários, que sabem que podem contar connosco.
3 Exportar deve ser entendido como uma missão e um desígnio das empresas?
Jorge Rocha de Matos
Presidente Fundação AIP
1 – As empresas portuguesas estão preparadas para exportar e têm dado provas disso, sobretudo no contexto da conjuntura económica que Portugal tem atravessado, em que o grande contributo para aumentar o seu valor de negócio é pela via da internacionalização. Contudo esta dinâmica é contínua e renova-se com muita rapidez. As empresas têm que olhar para a internacionalização dos seus produtos ou serviços com uma visão muito específica e a estratégia deve passar sempre por uma boa proposta de valor, uma boa gestão cultural dos mercados, inovação e produtos competitivos. O êxito na internacionalização do seu negócio não pode contar apenas com o produto ou serviço que pretende expandir, por mais competitivo ou diferenciado que seja, em determinado mercado. O conhecimento da cultura onde se ambiciona marcar presença é um dos factores estratégicos a desenvolver. A linguagem e os costumes são prioritários para um primeiro passo na expansão das empresas.
2 – Têm que reforçar o seu dispositivo de inteligência competitiva, gerindo melhor a informação, as redes de conhecimento, firmando boas parcerias nos mercados onde pretendem alargar os seus negócios. Sobretudo têm que saber diferenciar-se dos seus concorrentes e, particularmente as PME, têm de procurar nichos de mercado muito específicos. O Portugal Exportador é o local que, pelas suas características únicas, tem a capacidade de oferecer às empresas novas competências, conhecer novos mercados, potenciando as suas redes de negócios, para enfrentar com sucesso os novos desafios da exportação.
3 – Sim, porque a partir do momento em que necessitam de escala para aumentar o seu volume de negócio têm que se projectar noutros mercados. Numa pequena economia aberta, como é o caso de Portugal, a exportação tem que estar na ordem do dia.