Polémica com comboios demasiado largos provoca onda de demissões em Espanha

Presidente da CP espanhola demitiu-se, assim como a secretária de Estado dos Transportes devido à polémica. Por causa do atraso na entrega dos comboios, as viagens vão ser gratuitas até 2026 nas redes suburbanas das Astúrias e Cantábria.

Polémica com comboios demasiado largos provoca onda de demissões em Espanha
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A culpa não morreu solteira numa polémica que chocou Espanha e lançou o debate sobre como o dinheiro público é usado ligeiramente por governantes e empresas públicas.

A história começa quando, em 2020, a operadora estatal ferroviária espanhola, a Renfe, anunciou planos para modernizar o material circulante suburbano (a rede Cercanias) e de meia distância nas comunidades das Astúrias e da Cantábria, num contrato com o valor de 258 milhões de euros.

Mas recentemente foi revelado que os comboios previstos ao abrigo deste contrato são muito largos para passar em alguns dos túneis nas duas regiões, que são conhecidas precisamente por serem montanhosas.

A principio apenas dois responsáveis se demitiram com a polémica, um na Renfe e outro na companhia pública que gere a rede ferroviária, a Adif.

Mas a sangria não parou por aqui; com a polémica a continuar a onda de demissões continuou: Isaias Taboas, presidente da Renfe, e a secretária de Estado dos Transportes, Isabel Pardo de Vera.

O erro foi detetado pelo fabricante dos comboios – a CAF sediada no País Basco – e o processo de fabrico foi travado, com o projeto a ser adiantado dois ou três anos.

O acordo foi fechado em junho de 2020 e entregou à CAF o fabrico de 31 comboios com bitola métrica para a rede da Renfe.

O erro partiu da gestora da rede: no documento elaborado pela Adif que serviu de base às medidas dos comboios, as medidas estavam erradas, induzindo em erro o fabricante.

Aparentemente, a Renfe e o fabricante já tinham detetado o erro e tinham procedido à alteração dos desenhos dos comboios, mas a polémica estalou recentemente quando os governos regionais das Astúrias e da Cantábria souberam que só iriam receber os comboios em 2026 e lançaram duras críticas públicas sobre o erro.

Como recompensa, os comboios suburbanos (Cercanias) nas Astúrias e na Cantábria serão gratuitos para os clientes até 2026.

O contrato aumentou também de 31 unidades para 38: 21 para a Cantábria e 18 para as Astúrias.

Numa das soluções pensadas para ultrapassar o problema, pensou-se em construir comboios mais pequenos do que os atuais, mas isso implicaria menos capacidade de passageiros. Finalmente, optou-se pelo chamado “método comparativo” que consiste em usar como desenho base os comboios que atualmente circulam nas linhas.

“Soubemos agora pela imprensa, relativa a uma obra licitada em 2019. Imagino que souberam seis meses ou um ano depois do concurso. Não se via uma falha deste calibre há 40 anos. É uma deslealdade que durante dois anos responsáveis desta casa soubessem o que estava a acontecer e não terem dito nada”, criticou Miguel Angel Revilla, presidente do governo regional da Cantábria.

“Este é um escândalo que não admite outros qualificativos do que embaraço e vergonha”, disse, por sua vez, Adrian Barbon, presidente do governo regional das Astúrias.

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