O preço do petróleo volta a subir esta segunda-feira depois de no fim-de-semana se terem sucedido várias ameaças de ataques a estruturas energéticas no Médio Oriente.
Nesta altura o brent está a subir 2,61% para os 109,19 dólares e o crude valoriza 3% para os 101,18 dólares.
A matéria-prima tem valorizado de forma significativa desde que rebentou o conflito no Médio Oriente entre as forças norte-americanas, israelitas e iranianas, em março. Isto faz com que o crude acumule uma valorização de 46% num espaço de um ano e o brent suba 55%. Num mês o brent sobe 60% e o crude valoriza 54%.
Devido à instabilidade que se faz sentir no Médio Oriente fontes do setor petrolífero da Arábia Saudita alertam que os preços do petróleo podem atingir os 180 dólares, num cenário em que o conflito vá para além de abril, avançou o Wall Street Journal. Tal se deveu aos ataques que têm acontecido em infraestruturas petrolíferas quer do Irão quer de outros países localizados no Médio Oriente. Aqui inclui-se o ataque israelita à infraestrutura de gás iraniana de South Pars, ao ataque iraniano à infraestrutura de Ras Laffan no Qatar e também a infraestruturas sauditas em Yanhu.
O cenário mais severo traçado do Banco Central Europeu (BCE) sobre os impactos da guerra no Médio Oriente projeta um pico no preço do petróleo de 145 dólares por barril, enquanto no cenário base fica nos 90 dólares.
Nas previsões económicas divulgadas a 19 de março, que já foram ajustadas aos efeitos da guerra, a inflação foi revista em alta para 2,6% em 2026, 2% em 2027 e 2,1% em 2028, enquanto o crescimento económico foi revisto em baixa, para uma média de 0,9% em 2026, 1,3% em 2027 e 1,4% em 2028.
EUA deu prazo de 48 horas para abrir Estreito de Ormuz
A ameaça foi transmitida por Donald Trump através da rede social Social Truth, onde o governante norte-americano referiu que se o Irão “não abrisse completamente, sem ameaças” o Estreito de Ormuz, em 48 horas, os Estados Unidos iriam “atacar e destruir” as suas centrais de energia, começando pela maior.
Em resposta à ameaça de Donald Trump o exército iraniano anunciou no domingo que atacaria as infraestruturas energéticas e as instalações de dessalinização de água na região, caso Donald Trump concretize as ameaças de destruir as centrais elétricas iranianas.
“Se a infraestrutura petrolífera e energética do Irão for atacada pelo inimigo, todas as infraestruturas energéticas, de tecnologia da informação e de dessalinização de água pertencentes aos Estados Unidos e ao regime da região serão alvo de ataques”, declarou o porta-voz do comando operacional do exército, Khatam al-Anbiya, num comunicado publicado pela agência Fars.
A fonte não especificou a que “regime” se referia.
Irão encerraria Estreito de Ormuz se existissem ataques a infraestruturas energéticas
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que o Irão encerraria o Estreito de Ormuz se o Presidente norte-americano, Donald Trump, avançasse com a ameaça de atacar as centrais iranianas caso o país não abra o Estreito de Ormuz em 48 horas.
Num comunicado, transcrito pela agência noticiosa Reuters, a Guarda Revolucionária referiu que as empresas com ações norte-americanas seriam “completamente destruídas” se as instalações iranianas fossem atacadas pelos Estados Unidos, como ameaçou Donald Trump, acrescentando que as instalações energéticas em países que possuam bases norte-americanas seriam alvos “legais”.
Estreito de Ormuz está aberto exceto a inimigos do Irão
O Irão afirmou que o Estreito de Ormuz está aberto a toda a navegação, exceto a embarcações que estão ligadas aos “inimigos do Irão”, assinalou a agência noticiosa Reuters, tendo por base relatos de meios de comunicação iranianos que citam o representante do Irão na agência marítima da Organização das Nações Unidas (ONU), Ali Mousavi.
A Reuters salientou que Ali Mousavi referiu que o Irão vai continuar a cooperar com a Organização Marítima Internacional no sentido de melhorar a segurança marítima e proteger os marinheiros no Golfo, adiantando também que as embarcações que não pertençam aos “inimigos do Irão” podem atravessar o Estreito de Ormuz coordenando as medidas de segurança com o Irão.
Ali Mousavi, em declarações transcrita pela mesma agência noticiosa, salientou que apesar da “diplomacia continuar a ser a prioridade” do Irão, uma cessação completa da agressão bem como a confiança mútua “são mais importantes”.