O petróleo inverteu a queda do início desta manhã e voltou esta quarta-feira a subir ligeiramente. Uma coisa é certa neste momento, o petróleo já está confortavelmente instalado acima dos 100 dólares, negociando agora nos 103 dólares.
O petróleo já fechou quatro sessões consecutivas acima dos 100 dólares; a continuar assim, volta esta quarta-feira a fechar novamente acima desta marca.
As notícias hoje estão a ser dominadas pela morte do Ali Larijani, chefe da segurança nacional do Irão, por Israel. Em retaliação, Teerão lançou ataques sobre a capital de Israel, provocando duas vítimas mortais em Tel Aviv.
Da parte de Teerão, o Governo iraniano garante que a morte de altos responsáveis não vai lançar o caos na esfera de governação do país.
O Irão tem estado a usar mísseis Khorramshahr 4 e Qadr que dispersam no ar em explosivos mais pequenos para conseguirem atingir uma área maior e serem mais difíceis de interceptar.
O novo líder supremo do Irão disse que agora não é o “tempo certo para a paz até os EUA e Israel serem colocados de joelhos, aceitarem a derrota e pagarem compensação”, segundo Mojtaba Khamenei.
Por sua vez, Israel atacou Teerão, tendo como alvo infraestruturas das forças de segurança, com um projetil a atingir uma zona próxima à central nuclear de Bushehr.
Os EUA também têm estado a bombardear a costa do Irão ao longo do estreito de Ormuz para tentar neutralizar os misseis iranianos que impedem o trânsito marítimo no estreito de Ormuz que permanece fechado.
Donald Trump, um forte crítico do multilateralismo, tenta arrastar os seus aliados da NATO para a guerra, mas sem sucesso.
A Europa já aprendeu a dizer “não” ao líder americano sobre os seus pedidos para a guerra do Irão.
“Não vamos participar na guerra. Não vamos fazê-lo”, disse esta semana o chanceler alemão Friedrich Merz. “Não vamos participar em missões militares para garantir a segurança de navegação no estreito de Ormuz”.
O Governo alemão já disse precisar de informação dos EUA sobre quando os “objetivos militares vão ser considerados atingidos”.
Já Emmanuel Macron também rejeita envolver-se na guerra. “Não somos parte do conflito. França nunca vai tomar parte em operações para abrir ou libertar o estreito de Ormuz no contexto atual”.
O presidente dos EUA voltou às suas ameaças perante as negas dadas. “Se não houver resposta ou se for negativa, penso que vai ser muito mau para o futuro da NATO”, disse Trump no domingo. Já na terça-feira disse que as rejeições dos aliados são um “erro muito estúpido”.
Diretor de centro de contra-terrorismo dos EUA demite-se devido à guerra no Irão
O diretor do Centro Nacional para o Contra-terrorismo dos Estados Unidos anunciou na terça-feira a sua demissão devido à guerra no Irão.
Joe Kent é um fervoroso republicano e apoiante trumpista do movimento MAGA, mas considerou que os EUA foram enganados por Israel sobre a ameaça que o Irão representava.
“Não posso em boa consciência apoiar a guerra no Irão. O Irão não representava uma ameaça iminente à nossa nação é é claro que começámos esta guerra por pressão de Israel e do seu lobby poderoso americano”, escreveu o responsável nas redes sociais citados pela “Reuters”.
O responsável, que perdeu a mulher (que pertencia à Marinha dos EUA) num ataque suicida na Síria em 2019, disse que não suporta “enviar a próxima geração a combater e a morrer numa guerra que não serve o povo americano”.
“Rezo para que reflitam naquilo que estão a fazer no Irão e por quem estão a fazê-lo”, acrescentou.
Joe Kent serviu nas Forças Especiais dos EUA, os Boinas Verdes do exército americano. Participou em 11 campanhas ao longo de uma carreira de 20 anos.
Mais tarde, juntou-se aos serviços de inteligência dos EUA, a CIA.
“Esta câmara de eco foi usada para enganar-nos para acreditar que o Irão representava uma ameaça iminente para os EUA, e que caso atacássemos agora, havia um caminho claro para a vitória. Isto foi uma mentira e é a mesma tática que os israelitas usaram para arrastar-nos para a desastrosa guerra do Iraque que custou à nossa nação as vidas de milhares dos nossos melhores homens e mulheres. Não podemos cometer este erro de novo”, escreveu.