“Peregrinos não são hóspedes de hotéis”. Ocupação hoteleira aquém do previsto na semana da JMJ

"Já tínhamos dito que a JMJ, nesta semana e em Lisboa, não era obviamente um momento alto para a hotelaria. Os peregrinos não são por definição hospedes de hotéis", disse Cristina Siza Vieira, presidente da Associação da Hotelaria em Portugal, em entrevista ao JE.

“Peregrinos não são hóspedes de hotéis”. Ocupação hoteleira aquém do previsto na semana da JMJ
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A Jornada Mundial de Juventude (JMJ) deverá fazer com que um milhão a 1,5 milhões de pessoas estejam em Lisboa para a celebração deste evento. No entanto, e ao contrário do que se podia prever, essa chegada massiva de pessoas não significa que os hotéis estejam completamente cheios.

Em entrevista ao Jornal Económico, a vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria em Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira, explicou que apesar da taxa de ocupação ser boa, a mesma fica aquém do esperado.

“Já tínhamos dito que a JMJ, nesta semana e em Lisboa, não era obviamente um momento alto para a hotelaria. Os peregrinos não são por definição hospedes de hotéis”, disse ao JE Cristina Siza Vieira.

Esta dirigente recorda que a AHP fez um estudo e que “na altura previa-se que pudesse acontecer uma boa taxa de ocupação, na ordem dos 91%”, referiu, salientando no entanto, que as projeções mais recentes apontam para que “vamos ficar aquém disso nos 85% ou 86%, o que é bom para a hotelaria nesta semana”, sublinhou a dirigente da AHP.

Apesar de a JMJ trazer muitas pessoas a Portugal, segundo Cristina Siza Vieira, também afasta outras. “Há pessoas que viriam se não fosse pela Jornada. Devido à JMJ a cidade está mais condicionada, com mais enchentes, mais fluxo de turismo o que faz com que, naturalmente, muita gente que era para vir acabe por adiar a sua viagem”, apontou.

Segundo o estudo da AHP, divulgado a 13 de julho, “a percentagem de reservas, ao tempo do inquérito, situava-se nos 59% e os hoteleiros perspectivaram que a taxa de ocupação pudesse atingir os 91%”.

No que diz respeito “ao preço médio para estes dias, os hoteleiros responderam, que o mesmo poderia situar-se nos 219 euros, mas quando falamos da hotelaria da cidade de Lisboa, a média dos respondentes indicava que o preço médio pudesse alcançar os 225 euros”.

Espanha, Portugal, Estados Unidos da América, França, Brasil e Itália foram na altura os principais mercados apontados pelos hoteleiros para a semana da JMJ, sendo que a AHP adiantou que irá proceder a um inquérito pós-evento para perceber o real impacto na hotelaria.

A JMJ tem início esta terça-feira e o Papa Francisco chega a Portugal no dia 2 de agosto e vai estar 128 horas em Lisboa. Até ao início de julho, 313 mil peregrinos, de 151 países diferentes. Estima-se que, no total, a JMJ vá custar cerca de 160 milhões de euros.

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