As tensões provocadas pelo conflito no Médio Oriente estão a originar uma redistribuição do fluxo turístico internacional para destinos considerados mais seguros, com Portugal a poder ser um dos principais beneficiados. Esta é a opinião partilhada por 64% dos operadores turísticos nacionais inquiridos na 76ª edição do Barómetro do IPDT – Tourism Intelligence, que analisa as perspetivas para o período da Páscoa de 2026.
Entre os vários pontos analisados estão, além do agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente, o nível de confiança do setor e os impactos de fatores externos, nomeadamente o aumento dos custos energéticos.
Para 94% dos inquiridos, a influência da instabilidade geopolítica na dinâmica do turismo internacional vai provocar um redireccionamento dos fluxos turísticos para destinos considerados mais seguros, nomeadamente na Europa Ocidental.
Este impacto vai afetar diretamente a aviação internacional, com restrições no espaço aéreo, aumento dos tempos de viagem e subida dos custos operacionais, fatores que poderão condicionar a escolha de destinos, sobretudo de longa distância.
Perante este cenário, 36% dos profissionais do setor acreditam num desempenho menos favorável devido à incerteza económica global, ao poder de compra dos turistas e à evolução do contexto geopolítico ao longo do ano.
O preço dos combustíveis vai na opinião de 55% dos inquiridos, afetar o turismo interno, refletindo a forte dependência de deslocações rodoviárias e a maior sensibilidade do mercado nacional ao aumento do custo de vida, com 64% a considerarem o preço dos combustíveis como uma variável crítica, com efeitos diretos nos custos de mobilidade e na decisão de viagem.
Contudo, 45% dos operadores antecipam impactos mais acentuados no turismo externo, evidenciando que os efeitos dos custos energéticos se estendem também à aviação e às dinâmicas da procura internacional.
Como tal, 36% dos inquiridos não antecipam impactos diretos, sugerindo que os efeitos poderão ser mitigados pela natureza sazonal da procura na Páscoa ou pela adaptação do setor a contextos de maior volatilidade.
Ainda assim a confiança dos operadores mantém-se para o período da Páscoa, com a maioria dos profissionais a antecipar níveis semelhantes aos de 2025 no número de hóspedes (53%) e dormidas (51%), evidenciando a consolidação do mercado nacional como base estável de procura em períodos de maior intensidade turística.
Para 40% dos operadores, as receitas deverão aumentar, com a taxa de ocupação a manter-se estável (47%), reforçando o equilíbrio entre oferta e procura no mercado interno. Assim, o nível de confiança mantém-se elevado (80,6 pontos), permanecendo acima dos 80 pontos que caracterizam o período de forte dinamismo do setor no pós-pandemia.