As tropas de Israel estabeleceram uma posição nos arredores da Cidade de Gaza – que abriga mais de um milhão de palestinianos – após dias de intensos bombardeamento e fogo de artilharia. Tudo indica que a projetada e propagandeada nova intervenção em Gaza – com o objetivo de tomar o enclave aos palestinianos – já está no terreno, apesar de o reforço de 50 mil soldados ainda não estar disponível.
A ofensiva levou o secretário-geral da ONU, António Guterres, a renovar os apelos a um cessar-fogo imediato “para evitar a morte e a destruição” que um ataque “inevitavelmente causaria”. O ex-primeiro-ministro português sabe que os apelos não serão ouvidos pelo governo israelita, para quem, aliás, é ‘persona non grata’. Israel quer sinalizar que está a avançar com o seu plano de capturar toda a Cidade de Gaza, apesar das ténues críticas internacionais.
Segundo relatos de quem está no terreno, centenas de palestinianos que estavam acantonados nos bairros de Zeitoun e Sabra, na Cidade de Gaza, partiram em direção à parte noroeste da cidade – antes de, muito provavelmente, também dali virem a ser expulsos.
Um porta-voz militar israelita disse que as tropas já estão a operar nas áreas de Zeitoun e Jabalia para estabelecerem as bases para a ofensiva, que o ministro da Defesa, Israel Katz, aprovou esta terça-feira e que será apresentada ao gabinete de segurança no final desta semana. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que estava “a encurtar os prazos” para tomar o que descreveu como “os últimos redutos terroristas” em Gaza.
Em comunicado, o Hamas acusou o líder israelita de continuar uma “guerra brutal contra civis inocentes na Cidade de Gaza” e criticou o que disse ser seu “desrespeito” por uma nova proposta de cessar-fogo dos mediadores de sempre, o Qatar e o Egipto. Israel ainda não respondeu formalmente ao plano – a não ser com ações: o “encurtar prazos” para mais uma ofensiva no enclave.
Centenas de milhares de palestinianos na Cidade de Gaza devem receber ordens de evacuação e seguir para o sul, enquanto os preparativos para o plano de tomada de Israel estão em andamento. Muitos dos aliados de Israel condenaram o plano, com o presidente francês, Emmanuel Macron, alertando na quarta-feira para que “só pode levar ao desastre para ambos os povos e corre o risco de mergulhar toda a região num ciclo de guerra permanente”. O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), por sua vez, disse que mais deslocações e uma intensificação das hostilidades “correm o risco de piorar uma situação já catastrófica” para a população de 2,1 milhões de habitantes de Gaza. Nada disto é novidade.
Falando num briefing na quarta-feira, o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF), brigadeiro-general Effie Defrin, disse que o Hamas está “espancado e ferido” após 22 meses de guerra. “Vamos aprofundar os danos ao Hamas na Cidade de Gaza, um reduto do terror governamental e militar para a organização terrorista”, acrescentou. “Vamos aprofundar os danos à infraestrutura terrorista acima e abaixo do solo e cortar a dependência da população em relação ao Hamas.”