Francisco Ferreira: “Países não estão a dar respostas adequadas à transição energética e ao consumo”

Francisco Ferreira, presidente da associação ZERO, revela ao NOVO Economia, o que (não) está a ser feito para que os objetivos propostos possam ser atingidos no tempo devido.

Francisco Ferreira: “Países não estão a dar respostas adequadas à transição energética e ao consumo”
Francisco Ferreira DN
Artigo originalmente publicado no caderno NOVO Economia de 22 de julho, com a edição impressa do Semanário NOVO.

Francisco Ferreira, presidente da associação ZERO
O NOVO Economia foi perceber, junto da associação ambientalista, o que (não) está a ser feito para que os objetivos propostos possam ser atingidos no tempo devido.

O mundo tem aquecido. Podemos dizer, com certeza, que esta é uma consequência do aquecimento global?
Praticamente todos os cientistas na área do clima são inequívocos em estabelecer uma relação entre as emissões de gases com efeito de estufa, que continuam a aumentar, nomeadamente a emissão de dióxido de carbono proveniente da queima de combustíveis fósseis, e o aquecimento global e consequentes alterações climáticas.

Estamos na época do calor. Por que razão as temperaturas elevadas têm surpreendido?
Comparativamente com a temperatura média de um recente período de trinta anos, em diversos dias, as temperaturas têm estado mais elevadas que essas médias em muitas regiões e mesmo à escala global, tendo-se batido inclusive recordes em dias consecutivos. Efetivamente, as consequências das alterações climáticas, nomeadamente o aumento da temperatura global, está com uma tendência superior ao que os cientistas haviam previsto e estes recordes são sinais claros disso mesmo.

O mundo está a atingir temperaturas nunca antes vistas. A meta do Acordo de Paris vai falhar?
O mesmo em termos dos eventos meteorológicos extremos, na medida em que o número de ondas de calor, a sua intensidade e duração, estão acima do previsto. Assegurar que a temperatura global não sobe mais do que 1,5 oC em relação à era pré-industrial, o que implica inverter a subida das emissões poluentes até 2025, está em risco porque as políticas dos vários países não estão a dar as respostas adequadas em termos de transição energética e de consumo, para além da contínua degradação das florestas e dos oceanos como sumidouros de carbono, como a evolução da temperatura, como já mencionado, está acima do expectável.

Como é que Portugal se está a preparar para as alterações climáticas?
Neste capítulo, quer da parte do Estado, quer da parte das empresas, poucas têm sido as iniciativas, interdependentes entre a iniciativa pública e privada, que têm tido lugar. Não temos dúvidas que muitas empresas estão a avaliar e procurar prevenir os riscos das alterações climáticas, como o que terão de mudar no negócio como é o caso da refinação, ou quem tiver as matérias-primas fundamentais em risco. Mas a perceção que temos é que estão a atrasar-se na adaptação e na prevenção destes riscos.

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