O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) venceu as eleições legislativas deste domingo, regressando ao poder após uma década na oposição.
Sob a liderança de Francisco Carvalho, atual presidente da Câmara Municipal da Praia, o histórico partido conseguiu 33 dos 72 mandatos, correspondentes a 46,5% dos votos, estando ainda por apurar os resultados finais da diáspora numa altura em que estão 98.1% das mesas apuradas, segundo a Direção Geral de Apoio ao Processo Eleitoral.
Contudo, segundo Francisco Carvalho, que se prepara para suceder a Ulisses Correia e Silva, o PAICV obteve maioria absoluta. “Já chegaram os resultados da América que faltavam: é maioria absoluta”, afirmou aquando da declaração de vitória.
O partido Movimento para a Democracia (MpD), que tentava o terceiro mandato consecutivo com Ulisses Correia e Silva à frente do Governo, viu o número de mandatos cair dos 38 conquistados em 2021 (50,4%) para 30 (43,8%), de acordo com os resultados provisórios publicados no portal eleicoes.cv.
Além do PAICV e MpD, apresentaram-se a eleições o partido União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID), que conseguiu dois mandatos, menos dois do que em 2021, o Partido do Trabalho e da Solidariedade (PTS) e o Partido Popular (PP).
Para a escolha dos deputados da oitava legislatura de Cabo Verde inscreveram-se 403.113 cidadãos, 344.284 no arquipélago e 72.051 no estrangeiro.
Tal como em 2021, o mapa definido pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) determina 72 mandatos pelos 13 círculos eleitorais – 66 para os 10 círculos no território nacional e seis para os três círculos do estrangeiro (África, América e Europa e Resto do Mundo, cada um com dois). A ilha de Santiago, que inclui a capital, elege 33 dos 72 deputados, sendo a única onde há dois círculos eleitorais.
O desfecho das eleições autárquicas de final de 2024, com o PAICV a conquistar 15 dos 22 municípios, deu sinais de uma mudança no sentido de voto do eleitorado, com o maior partido da oposição a dominar o mapa político do arquipélago.
A abstenção superou expressivamente a das legislativas de 2016 (34%), atingindo 53,4% em 2026. Em 2021, chegou aos 42%, durante a pandemia de Covid-19.
Em Portugal, onde estavam inscritos 26419 eleitores da diáspora cabo-verdiana, foram abertas 84 mesas de assembleias de voto.
O país irá novamente a votos em 15 de novembro para as eleições presidenciais.