A OpenAI anunciou o encerramento da Sora, criado em 2024, uma aplicação que permitia gerar vídeos através de inteligência artificial (IA). Este anúncio colocou também um fim ao investimento da Disney de mil milhões de dólares (870 milhões de euros à taxa de câmbio atual) na proprietária do ChatGPT, de Sam Altman, anunciado há três meses, que previa o uso das personagens do universo da Disney no Sora, de acordo com a BBC.
A empresa de Sam Altman, que detém o ChatGPT, referiu, na semana passada, em declarações transcritas pelo The Telegraph, que se “estava a despedir” da Sora. A Disney salientou que “respeita” a decisão da OpenAI de sair da geração de vídeo para “redirecionar as suas prioridades” para outras áreas.
Com o fim da Sora a OpenAI abandona o desenvolvimento de ferramentas de geração de vídeo, de acordo com o canal britânico, para se concentrar em outras áreas como a robótica e também em outras formas de inteligência artificial como agentes capazes de completar tarefas com pouca supervisão humana.
De acordo com o The Telegraph a introdução da Sora, no mercado, há cerca de seis meses, teve uma reação negativa por parte de Hollywood. Entre as razões o uso de propriedade protegida por direitos de autor. Algo que ficou resolvido em parte com o investimento, anunciado em dezembro de 2025, com a Disney, que permitia o uso de personagens deste universo na Sora.
Mas a Sora relevou-se dispendioso para a proprietária do ChatGPT, salientou o The Telegraph. A Forbes calcula, que apesar de terem existido mais de 10 milhões de descargas (downloads) da aplicação, o custo computacional deve ter atingido os 15 milhões de dólares (13 milhões de euros) por dia. Algo que levou o responsável pela Sora, Billy Peebles, a dizer que esta situação “é completamente insustentável”.
De acordo com a BBC, e baseando-se em dados do Sensor Tower, desde o seu lançamento, em 2024, a Sora gerou receitas líquidas de 1,4 milhões de dólares (1,2 milhões de euros), face aos 1,9 mil milhões de dólares (1,6 mil milhões de euros) gerados pelo ChatGPT no mesmo período temporal. O analista da Forrester, Thomas Husson, citado pela BBC, referiu que a Sora era “um buraco negro de recursos” com “monetização limitada”, reforçando que a aplicação “teve dificuldades em impedir a criação de imagens não consensuais e desinformação realista, sem mencionar as graves violações de direitos de autor”.
Investimento da Disney na OpenAI chega ao fim
Com o encerramento da Sora a Disney anunciou o fim do investimento previsto de mil milhões de dólares na OpenAI, anunciado em dezembro de 2025, que incluía também um acordo de licenciamento, com a OpenAI, que permitia o uso de mais de 200 personagens da Disney na Sora.
O na altura CEO da Disney, Robert Iger, dizia que esta colaboração com a OpenAI iria “alargar de forma ponderada e responsável” o alcance de narrativas através do uso de inteligência artificial ao mesmo tempo que se “respeitava e protegia” os criadores e as suas obras.
O cofundador e CEO da OpenAI, Sam Altman, mostrou-se “entusiasmado” com a parceria feita com a Disney sublinhando que isso permitia à Sora e ao ChatGPT “expandir” a forma como as pessoas “criam e experienciam” conteúdos.