Tendo recentemente passado por tempos sem precedentes, a sociedade continua a adaptar-se a uma nova realidade. Depois de meses de confinamento, alunos por todo o país regressaram às aulas presenciais e, da minha experiência pessoal, este regresso foi extremamente bem-vindo, já que o confinamento foi um desafio para todos, quer a nível académico, quer a nível pessoal.
Pessoalmente, o ensino online foi um obstáculo na minha experiência de aprendizagem. Academicamente, o período de confinamento foi caracterizado pela falta de produtividade e ineficiência que impediu o meu progresso escolar. A ausência de um ambiente de trabalho, assim como as distrações encontradas em casa, foram as principais barreiras para o meu sucesso durante este período. O regresso às aulas “normais” permite-nos uma melhor interação com os professores e, visto que é um espaço feito para maximizar a produtividade dos alunos, é mais fácil prestar atenção durante as aulas e trabalhar nos nossos projetos estando fisicamente na escola.
Estou ciente de que muitos não concordam com este regresso, sobretudo por causa de preocupações em torno da segurança. Contudo, continuar a trabalhar com os mesmos níveis de improdutividade que verificámos durante as aulas online seria insustentável num curso tão exigente como o IBDP.
Um aspeto muitas vezes negligenciado, porém fundamental, é o nosso estado emocional, pois é um fator que influencia diretamente o nosso desempenho escolar. A falta de interação social durante o confinamento afetou significativamente os alunos. A perda do fator humano despertou, em muitos, sentimentos de solidão, ansiedade e, em certos casos, depressão, por isso, o regresso às aulas presenciais foi uma bênção para muitos.
O ambiente mais pessoal e humano encontrado nas escolas é, no fim das contas, o que auxilia muitos quando mais precisam. Além disso, poder conviver novamente com os nossos amigos melhorou exponencialmente o nosso moral, deixando-nos muito mais motivados, com níveis mais altos de produtividade e menos suscetíveis ao cansaço psicológico.
Este regresso tem, obviamente, os seus desafios. As novas regras de segurança, embora possam ser estranhas, são cruciais para o nosso bem-estar. A inconveniência de ter de desinfetar constantemente as mãos e de usar máscara não se compara com os benefícios do regresso às aulas presenciais. No entanto, não poder ter o mesmo nível de intimidade com os nossos amigos, como dantes, ainda não parece natural, mas, mesmo assim, compreendemos que é para um bem maior e é um sacrifício que todos devemos assumir.
Em suma, o regresso às aulas presenciais foi aceite de braços abertos. Os alunos, de um modo geral, estão gratos por estarem de volta a um lugar onde sabem que irão prosperar. Depende de nós, agora, tirar o máximo proveito de uma situação menos que ideal. Contudo, a raça humana está mais que familiarizada com adaptações e, pelo menos num futuro próximo, esta nova realidade aparenta estar aqui para ficar.