Em 2024, Portugal exportou apenas 2,2 milhões de euros para o Irão e no ano passado, até novembro, estão em causa 3,5 milhões, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). No caso das importações, os valores são ainda mais incipientes: pouco mais de 500 mil euros há dois anos e um milhão de euros no acumulado dos primeiros 11 meses do ano passado. As medidas anunciadas pelo presidente dos EUA para ferir o regime dos ayatollahs terão, portanto, impacto residual por aqui.
Donald Trump impôs esta terça-feira, “com efeito imediato”, que “qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irão pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América”.
Se Portugal levar a sério a ameaça norte-americana, está em causa uma perda irrisória para o país como um todo, embora não necessariamente para as empresas que exportam para o Irão (em 2023, de acordo com os últimos dados disponíveis, eram 28).
Entre os bens mais exportados estão produtos farmacêuticos (cerca de 42% do total vendido ao exterior) e artigos de borracha e de matérias plásticas (quase 39%).
Nas importações destacam-se os produtos alimentares, que valem cerca de 80% do valor, sobretudo alimentos não transformados.
O Irão é apenas o 139º país no ranking das exportações portuguesas (dados de 2024), mas nem sempre foi assim. Na verdade, já fez parte do top 50 das vendas lusas em 2009, quando era o 48º mercado preferencial das empresas nacionais, e muito perto disso em todo o período de 2005 a 2011.
Com a crise que obrigou à vinda da Troika, as exportações para aquele país começaram depois a perder o fulgor, mas recuperaram após o período do resgate. As vendas de 2017 acabariam por atingir o valor mais elevado dos últimos 20 anos (61 milhões de euros, 52º principal mercado), à boleia nomeadamente da exportação de automóveis (pouco habitual para aquele país), que chegou aos 29 milhões de euros.
O valor das vendas ao regime iraniano voltou então a perder terreno, até que o período da pandemia deu uma machadada decisiva: em 2024, as exportações valiam já cinco vezes menos do que em 2019, 10 vezes menos do que em 2018 e 28 vezes menos do que no ano recorde de 2017.