O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) é, atualmente, uma duplicação dos fundos europeus, realçou o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, a propósito do futuro da Europa, sugerindo que no futuro poderemos assistir à criação de um PRR com carácter permanente.
Estas declarações foram proferidas na sessão de abertura da conferência “União Europeia: que futuro?” que teve lugar esta quinta-feira de manhã na Universidade Lusíada, em Lisboa.
Pedro Passos Coelho elogiou a resiliência do euro e considera que a moeda europeia “já passou todos os testes, apesar das críticas e das profecias que não iria prevalecer”: “Temos a Europa possível mas no que diz respeito ao euro, esta moeda vai-se aperfeiçoando, sendo que já passámos todos os testes”.
Numa breve alusão à forma como foi concebido o PRR, Pedro Passos Coelho perspectivou aquilo que pode ser o futuro desta ferramenta de financiamento, provavelmente com um carácter mais permanente: “Talvez o PRR se vá transformar em algo diferente do que aquilo que é. O PRR hoje é uma duplicação dos fundos europeus. Agora é que se vai gastar o dinheiro resultado da crise pandémica?”, enfatizou o ex-primeiro-ministro.
Pedro Passos Coelho considerou que apesar da integração económica ter sido aprofundada na Europa, a UE não avançou na questão política. “Politicamente não estamos mais próximos de um Governo europeu como foi idealizado pelos fundadores”, sublinhou o docente da Universidade Lusíada. E mesmo na dimensão mais económica, “os problemas que geravam mais clivagens são uma permanência”: “Muda a semântica, muda a linguagem mas o tom mantém-se. À medida que temos cada eleição para o Parlamento Europeu, vemos renovados os velhos demónios e receios”.