A espinha dorsal de um Estado é a confiança nos seus poderes institucionais, obrigatoriamente guiados por valores éticos e morais como a sinceridade, a honra, a lealdade, a honestidade, a disciplina, o respeito, a responsabilidade e a liberdade (passe a redundância destas últimas).
Quando qualquer um destes valores é violado ou desprezado, a espinha torna-se bífida, impedindo que o Estado, na pessoa dos seus representantes, se apresente ereto, de cabeça levantada perante os seus pares e os seus cidadãos.
O caso da falsificação do currículo do procurador José Guerra violou (no mínimo) dois destes valores – a honestidade e a responsabilidade. Portugal, que no panorama europeu carrega a imagem de pedinte, tem agora de se apresentar curvado de vergonha pelo peso da sua desonestidade. E logo quando assume a Presidência do Conselho da União Europeia.
A este caso do procurador europeu podemos facilmente juntar os casos do assassinato pelo SEF, de Tancos, dos incêndios, das golas, da mentira em torno das vacinas para a gripe, etc.. Os intervenientes são diferentes, mas politicamente convergentes. Chamemos-lhe… “O grupo”. A todos estes escândalos acresce a conivência do Estado português ao não responsabilizar, não punir nem condenar, os elementos d’ “O grupo”, ou por incapacidade técnica, ou por não conseguir libertar-se do manto socialista que normaliza a incompetência e a impunidade.
O Presidente da República configura o maior manto protetor dos elementos d’ “O grupo”, perpetuando-os nos cargos com a desculpa da estabilidade política. Esta desculpa é, aliás, universalizada por Marcelo Rebelo de Sousa em toda a sua ação. Desta forma, Marcelo é mais uma espécie de ministro da estabilidade política do Governo socialista do que Presidente da República Portuguesa.
É incompreensível como este ministro da estabilidade política permite tanta instabilidade governativa, lesiva para o país e para os portugueses. Segura com escoras as iminentes ruínas em que se estão a transformar as instituições democráticas portuguesas (da justiça às forças de segurança, à administração pública, à saúde, etc.), mantendo a custo a fachada, quando no interior pouco ou nada resta de útil para a sua recuperação.
Para o regular funcionamento de um Estado, é preciso mais manutenção do que sustentação, e o Presidente da República está muito mais empenhado em suster a incompetência e a desonestidade do que em promover magistratura de influência na defesa do Estado de Direito.
Mas não é só “O grupo” que tem como manto protetor o Presidente da República. Também este aparenta ter, olhando as sondagens, como manto protetor o eleitorado. E se é difícil aceitar a postura do Presidente da República perante os inúmeros escândalos, é, com todo o respeito democrático, inexplicável a proteção que o eleitorado dá a Marcelo Rebelo de Sousa e, consequentemente, ao “grupo”.
No entanto, tendo a encontrar justificação na reclusão em que os governos das últimas décadas (na maioria do PS) colocaram os portugueses dependentes do Estado para tudo, fazendo-os desacreditar das suas capacidades individuais para melhorarem a condição de vida e, por fim, levando-os a crer que nada podem mudar.
É esta a imagem de um estado socialista – acorrentado à incompetência, à corrupção e à pobreza, minando a democracia em defesa d’ “O grupo”. Um infeliz, mas certeiro, exemplo quando um coletivo se sobrepõe ao indivíduo.