O futuro do Montepio: a formiga e a cigarra

O tempo desta nova liderança foi escasso. É por isso que o Dr. Virgílio Lima, afirma, como líder da Lista A, que é preciso continuidade, leia-se, da sua gestão. Não tem nada a ver com a continuidade do que se passava antes da sua liderança.

O futuro do Montepio: a formiga e a cigarra
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“Todo o trabalho é vazio, a não ser que nele haja amor”, Khalil Gibran

Há muitas críticas à situação do Montepio e é verdade que a liderança de 2008 a 2019 pecou por falta de estratégia adequada ao mutualismo, resultados económicos e falta de ética, valores e princípios. Mas há que reconhecer que a mudança de líder em dezembro de 2019 já evidencia resultados. Não se pode falar do passado como se fosse um todo igual, pois não se pode tratar o todo sem entender as suas diversas partes.

Quem critica a atual gestão e os resultados do Montepio, sem ter em conta a sua dinâmica mais recente, querendo pôr o passado e o presente no mesmo saco, não tem consciência da realidade que está a seus pés.  Diria que é como a Cigarra que fala e canta, simplesmente para beneficiar da oportunidade no momento presente e não compreende que há mudanças no meio ambiente e que é preciso trabalhar hoje para preparar o amanhã. Assim, é preferível seguir a visão da formiga que trabalha de forma diligente no dia a dia pensando no longo prazo, numa perspetiva de previdência.

Assim, veja-se o que se tem passado no Montepio durante os 22 meses de trabalho e liderança do Dr. Virgílio Lima, que foi escolhido por unanimidade, pelos seus colegas de conselho de administração, na sequência da saída do Dr. Tomás Correia. É um quadro do Montepio há mais de 40 anos, com experiência de gestão na área bancária e seguradora. Com os seus conhecimentos nestas duas áreas e a sua capacidade de diálogo e de compreensão do papel da supervisão bancária e seguradora e de fundos de pensões conseguiu ganhar a confiança e pacificar as relações com estas entidades de supervisão.

Também são conhecidos, pela comunicação social, os históricos conflitos entre diversos protagonistas internos, no momento em que tomou posse como presidente da Associação Mutualista. Com a sua liderança conseguiu criar diálogo entre as partes e pôr as equipas a funcionar.

O tempo desta nova liderança foi escasso. É por isso que afirma, na sua campanha eleitoral como líder da Lista A, que é preciso continuidade, leia-se, da sua gestão. Não tem nada a ver com a continuidade do que se passava antes da sua liderança. Ele já introduziu diversas mudanças na gestão. De uma liderança musculada, passou a existir uma liderança de diálogo, participativa, onde não há represálias à critica, mas é usada para refletir no que se pode fazer para melhorar.  Criou o Comité Estratégico do Grupo que é um fórum que tem permitido fazer o alinhamento estratégico e das ações ao nível das diversas empresas do Grupo. Toda esta nova forma de liderar começa a dar os seus resultados.

Comparando os resultados acumulados a setembro da Associação Mutualista Montepio nos últimos quatro anos, evidencia-se já uma mudança estrutural de resultados [ver gráfico 1, à esquerda].

A análise dos últimos quatro trimestres do banco Montepio também já denota essa mudança estrutural [ver gráfico 2, à direita].

Quem fizer uma análise de resultados anual, não é capaz de captar esta mudança estrutural. Ela seria certamente mais visível numa análise mensal de dados, mas esses dados não estão publicados. De qualquer forma a análise trimestral já dá uma perspetiva da mudança em curso.

O rigor, o empenho no trabalho e a honestidade do Dr. Virgílio Lima, a paixão que tem para com o Montepio e o seu lema de renovação, são o garante que o Montepio poderá voltar a ser a entidade mutualista concebida pelos seus fundadores, com as adaptações necessárias aos tempos modernos e com a performance adequada para satisfação dos seus associados.