O número de novas empresas no distrito de Faro cresceu 15% no primeiro trimestre de 2026, face ao período homólogo, mas as insolvências dispararam 52% no mesmo período, revelam dados divulgados hoje pela Iberinform.
De acordo com o relatório da consultora, esta aceleração simultânea de entradas e saídas de mercado reflete a forte dependência do Algarve face à sazonalidade e à procura externa, características de uma economia assente no turismo.
A estrutura empresarial da região continua a ser esmagadoramente dominada por microempresas, que representam 88% do total do tecido produtivo local. As pequenas empresas correspondem a 11% e as médias empresas a apenas 1%, uma concentração de pequenos negócios — ligados ao alojamento local e restauração — superior à média nacional.
Geograficamente, o concelho de Loulé lidera a concentração de empresas com 21% do total do distrito, seguido por Faro (14%), Albufeira (13%) e Portimão (12%). Lagos, com 7%, e Silves, com 6%, completam os principais eixos económicos, concentrando a maior parte da atividade hoteleira e de animação turística do litoral algarvio.
O setor dos serviços é o principal motor económico, concentrando 44% das empresas instaladas. A construção civil surge na segunda posição setorial com 13%, impulsionada pelo investimento imobiliário e em infraestruturas hoteleiras. Os transportes representam 7%, o setor financeiro 3%, enquanto a agricultura e a indústria apresentam uma expressão residual de 3% cada.
A análise de risco da Iberinform revela que 41% das empresas de Faro apresentam um perfil de risco baixo e 30% registam risco médio. Contudo, cerca de três em cada dez empresas (29%) operam em risco elevado, um indicador que a consultora avisa requerer “monitorização contínua” devido à exposição às oscilações da procura turística.
No plano financeiro, o relatório aponta para uma evolução positiva entre 2023 e 2024. O volume de negócios global do distrito subiu de 12.999 milhões de euros para 13.589 milhões de euros. A taxa de exportação — que inclui a receita gerada pelo turismo internacional — cresceu de 37,9% para 39,0% do volume de negócios.
O distrito de Faro registou ainda os prazos financeiros mais baixos do país. O prazo médio de pagamento melhorou de 51 para 49 dias, enquanto o prazo médio de recebimento permaneceu estável nos 36 dias, garantindo uma posição confortável de liquidez às empresas algarvias.