Contrariando especulações de que os jornais israelitas deram eco – segundo as quais, e face à enorme contestação gerada interna e externamente, a reforma do poder judicial podia desaparecer do horizonte político do governo do país – o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acaba de afirmar que o processo em torno da questão está de regresso.
Netanyahu afirmou que espera que as negociações produzam um compromisso – mas a oposição parece não estar disponível para fornecer esse benefício ao governo. O explosivo plano de revisão – que lançou as ruas do país no caos e motivou protestos alargados, nomeadamente vindos da Casa Branca – retorna depois da aprovação do orçamento do Estado. “Estamos a tentar chegar a entendimentos com a oposição e espero que o consigamos”, disse Netanyahu.
“Vejo que Netanyahu está sedento de poder novamente, depois de aprovar um orçamento que explodirá na cara de todos. Quero lembrar a Netanyahu que a definição de estupidez é repetir as mesmas ações com a expectativa de resultados diferentes”, disse Benny Gantz, líder do partido de oposição Unidade Nacional. “Se o projeto voltar à agenda, vamos sacudir o país inteiro e fazê-lo parar”.
As negociações entre o governo de Netanyahu e os líderes da oposição com o objetivo de chegar a um acordo sobre as mudanças no sistema judicial estão em andamento com a supervisão do presidente, Isaac Herzog, mas sem sinais de qualquer progresso.
Já na passada semana, membros do governo tinham afirmado que o plano voltaria ao ativo no Knesset, mesmo que nenhum acordo seja alcançado com a oposição. Mas a decisão do primeiro-ministro, que torna esse regresso definitivo, faz regressar o fantasma da crise política.
Outra crise política esperaria Netanyahu se o plano não avançasse: o ministro da Justiça, Yariv Levin, um dos seus autores, deixou saber que sairia do governo se a ‘sua’ legislação de revisão judicial não for aprovada.
Segundo os jornais israelitas, Herzog sugeriu a ambos os lados que concordassem em adiar o regresso do plano para depois do verão, quando o Knesset regressar de férias (a 15 de outubro), mas o governo declinou essa possibilidade.
O plano provocou, recorde-se, uma forte contestação nas ruas, com oposição generalizada de diversas figuras dos sectores judicial, da segurança e económicos que alertaram para que as medidas previstas teriam um impacto negativo na própria democracia.