Os trabalhadores espanhóis do call center da empresa Konecta BTO, localizado em Madrid, foram obrigados a trabalhar depois da morte de uma colaboradora nas mesmas instalações. Segundo reporta a “CNN Portugal”, a trabalhadora sentiu-se mal enquanto desempenhava as suas funções para uma campanha da Iberdrola e morreu instantes depois.
Os colegas, que a tentaram reanimar, mas sem sucesso, continuaram a receber chamadas e os recursos humanos deram a indicação para que continuassem as suas funções. O corpo da trabalhadora ainda se encontrava nas instalações quando a ordem foi dada.
O sindicato espanhol CGT indica em comunicado, citado pela publicação portuguesa, que os trabalhadores se sentiram num “filme de terror”, sendo que a atitude da empresa mostra falta de humanidade, empatia e respeito para com todos os trabalhadores.
“Quando recebemos a notícia, através do WhatsApp, não podíamos acreditar”, lembra o sindicato. “Ela está deitada no chão e estamos a receber chamadas”, disseram os trabalhadores ao sindicato, indicando que receberam ordens “para continuar a receber chamadas”.
“Sí, nos dicen que sigamos cogiendo llamadas” No veíamos el momento de llegar, los segundos parecían horas y al entrar en San Romualdo, todo parecía una película de terror de serie B. Al lado de nuestra compañera alguien atendía una llamada.https://t.co/vNSFVWEQ3Q
— Sector Federal de Telemarketing de la CGT (@cgttelem) June 15, 2023
“Ao lado da nossa companheira, alguém fazia uma chamada. O serviço continuava normalmente. Era necessário parar, desocupar o centro. Apelar à sanidade mental enquanto alguém repetia insistentemente:'”Somos um serviço essencial’. E a vida? Haverá algo mais essencial do que a vida? A resposta parece clara, mas os factos não o indicam”, escreve o sindicado espanhol.
Também o sindicato UGT considerou que a empresa deveria ter feito os procedimentos corretos ao enviar os colaboradores para casa, uma vez que atualmente existe a possibilidade do teletrabalho.