“Não podíamos acreditar”. Trabalhadores de ‘call center’ obrigados a trabalhar instantes depois da morte de colega

"Ela está deitada no chão e estamos a receber chamadas", disseram os trabalhadores de um 'call center' em Espanha ao sindicato. Caso está a gerar grande indignação em Espanha.

“Não podíamos acreditar”. Trabalhadores de ‘call center’ obrigados a trabalhar instantes depois da morte de colega
Brian Snyder/Reuters

Os trabalhadores espanhóis do call center da empresa Konecta BTO, localizado em Madrid, foram obrigados a trabalhar depois da morte de uma colaboradora nas mesmas instalações. Segundo reporta a “CNN Portugal”, a trabalhadora sentiu-se mal enquanto desempenhava as suas funções para uma campanha da Iberdrola e morreu instantes depois.

Os colegas, que a tentaram reanimar, mas sem sucesso, continuaram a receber chamadas e os recursos humanos deram a indicação para que continuassem as suas funções. O corpo da trabalhadora ainda se encontrava nas instalações quando a ordem foi dada.

O sindicato espanhol CGT indica em comunicado, citado pela publicação portuguesa, que os trabalhadores se sentiram num “filme de terror”, sendo que a atitude da empresa mostra falta de humanidade, empatia e respeito para com todos os trabalhadores.

“Quando recebemos a notícia, através do WhatsApp, não podíamos acreditar”, lembra o sindicato. “Ela está deitada no chão e estamos a receber chamadas”, disseram os trabalhadores ao sindicato, indicando que receberam ordens “para continuar a receber chamadas”.

“Ao lado da nossa companheira, alguém fazia uma chamada. O serviço continuava normalmente. Era necessário parar, desocupar o centro. Apelar à sanidade mental enquanto alguém repetia insistentemente:'”Somos um serviço essencial’. E a vida? Haverá algo mais essencial do que a vida? A resposta parece clara, mas os factos não o indicam”, escreve o sindicado espanhol.

Também o sindicato UGT considerou que a empresa deveria ter feito os procedimentos corretos ao enviar os colaboradores para casa, uma vez que atualmente existe a possibilidade do teletrabalho.

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