O som do piano anuncia-se através da porta que agora se abre para o luminoso foyer do primeiro andar do Teatro Camões. A melodia chega-nos mais nítida quando, logo depois, outra porta se abre e vislumbramos o estúdio onde uma dezena de bailarinos, absortos, ensaiam. O olhar maravilhado de Fernando Duarte é a tradução sem palavras do seu encantamento pela dança e por tudo o que diz respeito a esta casa, que explode de azul no exterior e de luz no interior.
Fernando Duarte, coreógrafo e cofundador da companhia Dança em Diálogos, foi escolhido para dirigir a Companhia Nacional de Bailado (CNB), na sequência de um concurso internacional lançado em março deste ano. Fernando regressa à casa onde entrou em 1996, com 17 anos, à casa que o viu crescer como bailarino, a este ‘ser vivo’ que tanto acarinha.
E como lhe aconteceu a dança não havendo essa tradição na família? “A dança não, mas as Artes estiveram sempre presentes. Tanto pelo meu pai, como pela minha mãe”, diz, com um olhar sonhador. O pai, agora jubilado, foi Professor Catedrático na Faculdade de Belas-Artes e conservador do Museu de Setúbal, cujo Departamento Educativo era chefiado pela mãe.
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