Mercado ‘cloud’ vai crescer 20% até 640 milhões de euros em Portugal

A previsão foi apresentada esta terça-feira pela consultora IDC. O 'country manager' em Portugal diz ao JE que grande parte das empresas já entende a “necessidade de alocar os seus sistemas a estruturas seguras e de baixa manutenção, uma tendência que tem criado uma constante competitividade dos custos inerentes à implementação deste tipo de soluções".

Mercado ‘cloud’ vai crescer 20% até 640 milhões de euros em Portugal
Gabriel Coimbra

O mercado de computação na nuvem (cloud computing) em Portugal deverá crescer 20,3% em 2023 e representar um investimento de 640 milhões de euros até atingir mesmo os mil milhões de euros em 2026, estima a consultora tecnológica International Data Corporation (IDC). O crescimento deste segmento da cloud sentir-se-á sobretudo na categoria de Software as a Service (SaaS), no qual se prevê um investimento de 447,1 milhões de euros em 2023 e de 685,2 milhões de euros em três anos.

O country manager da IDC Portugal explica ao Jornal Económico (JE) que este crescimento se justifica pelo facto de, devido à pandemia, as necessidades e as expectativas das organizações terem mudado. “As empresas que se conseguem ajustar a essas situações e necessidades mais facilmente alcança taxas de crescimento mais elevadas. Recorrendo ao SaaS, é possível dar suporte aos clientes apenas com uma versão de um produto, o que possibilita às empresas um dimensionamento com a rapidez necessária, sem substituir a infraestrutura dispendiosa, nem aumentar a equipa de Tecnologias da Informação (TI)”, referiu Gabriel Coimbra.

Já o modelo Platform as a Service (PaaS), que envolve implementação de hardware e software, também sobressai nas previsões pelo ritmo de crescimento, que à partida se manterá à média de 30,4% até 2026. Só este ano o investimento em PaaS deverá atingir os 103,1 milhões e 223,4 milhões de euros em 2026.

Segue-se o serviço Infrastructure as a Service (IaaS), relacionada com as infraestruturas de rede, cujo investimento médio rondará os 25%, até 2026, para os 143,4 milhões de euros até dezembro e 264,2 milhões em 2026.

“A a cloud computing tem vindo a representar uma mudança fundamental na forma como as empresas e organizações gerem os seus negócios, tornando as organizações mais ágeis e não exigindo investimentos avultados em hardware. As soluções cloud trazem um conjunto de benefícios relevantes para as organizações, pois são soluções fáceis de gerir e de manter e suportadas por regras de segurança consolidadas”, disse ainda Gabriel Coimbra.

Ao JE, o country manager da IDC Portugal garante que grande parte das empresas já entende a “necessidade de alocar os seus sistemas a estruturas seguras e de baixa manutenção, uma tendência que tem criado uma constante competitividade dos custos inerentes à implementação deste tipo de soluções”.

A IDC antecipa ainda que 80% das empresas recorram aos fornecedores de TI para monitorização e informação métrica sobre sustentabilidade. Para o porta-voz da consultora, “reduzir os custos com energia, melhora o posicionamento das empresas em termos de sustentabilidade e responsabilidade ambiental”, portanto “a infraestrutura da cloud desempenha um papel significativo na jornada das organizações para um futuro sem carbono, uma vez que a maioria das emissões de carbono estão a ser produzidas fora das suas operações principais”, ou seja infraestruturas cloud de terceiros.

Questionado sobre se está preocupado com o impacto, no sector, do colapso de dois bancos norte-americanos que financiavam sobretudo de empresas tecnológicas, Gabriel Coimbra afirma que, de forma isolada, não afetará o desenvolvimento das tecnológicas, “mas indiretamente, caso haja repercussões sistémicas nos mercados financeiros, irá certamente afetar todos os mercados”.

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