Mais de quatro em cada dez consultas no SNS ultrapassaram tempo máximo de espera

A análise da Entidade Reguladora da Saúde concluiu que a 31 de dezembro do ano passado havia 581.909 utentes em espera para primeira consulta, dos quais quase metade com tempo de espera superior ao tempo máximo definido por lei.

Mais de quatro em cada dez consultas no SNS ultrapassaram tempo máximo de espera
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Os tempos de espera no Serviço Nacional de Saúde (SNS) continuam a aumentar. O Tempo Máximo de Resposta Garantido (TMRG) definido na lei foi ultrapassado em cerca de 43% das mais de 605 mil consultas de especialidade hospitalar – menos cardiologia ou consultas com suspeita ou confirmação de doença oncológica – realizadas no segundo semestre de 2022, o que corresponde a um aumento de 15,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

Ainda assim, houve 13% mais primeiras consultas de especialidade hospitalar a pedido dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), de acordo com o relatório de monitorização sobre os tempos de espera no SNS relativo ao segundo semestre de 2022, divulgado esta terça-feira pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

A 31 de dezembro do ano passado havia 581.909 utentes em espera para primeira consulta, dos quais quase metade (47%) com tempo de espera superior ao TMRG. Por outro lado, foram realizadas 254.205 cirurgias programadas nos hospitais do SNS (sem intervenções de cardiologia nem oncologia) no período em análise, mais 4% em termos homólogos.

Relativamente ao cancro, no final do segundo semestre de 2022, 1.258 utentes aguardavam a primeira consulta com suspeita ou confirmação de doença oncológica, tendo sido ultrapassado o TMRG para 70% dos utentes em espera. A percentagem de incumprimento é a mais elevada desde o início da monitorização pela ERS. Aliás, no último dia do ano havia praticamente sete mil (6.923) utentes a aguardar cirurgia na área de oncologia, sendo que 24% estavam com uma espera superior ao limite legal.

“Quanto aos cuidados de saúde prestados pelas unidades de cuidados de saúde primários, no segundo semestre de 2022 apuraram-se taxas de incumprimento dos TMRG entre 13,6% e 23,8% nas consultas no domicílio e entre 2,4% e 10,4% nos pedidos de renovação de medicação, não tendo sido possível monitorizar as taxas de incumprimento dos TMRG relativas a consultas”, lê-se no relatório.

A ERS concluiu ainda que se mantêm os constrangimentos de registo e de funcionamento dos sistemas de informação dos hospitais.

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