O JPP insiste que os preços associados ao setor marítimo tornam os preços dos bens mais caros na Região sendo esta “uma situação particularmente sentida nas últimas semanas, com a escalada de preços na eletricidade, no gás e nos combustíveis que, inevitavelmente, refletem-se no aumento do custo de vida na Região”, referiu o líder parlamentar, Élvio Sousa, numa iniciativa esta quarta-feira, na Assembleia Legislativa da Madeira.
O líder parlamentar frisa que “um outro fator que está na base deste escaldar dos preços, é o preço dos transportes marítimos de mercadorias entre a Madeira e o Continente”, salientando que os valores refletem um acréscimo de 18% no custo de transporte marítimo de mercadorias, por quilómetro, quando comparado com os Açores.
“A consulta de tarifários de outros operadores marítimos não pertencentes ao Grupo Sousa, mostra que o envio de um contentor com as mesmas caraterísticas, para a Madeira é 18 % mais caro, por quilómetro, do que para os Açores”, sendo esta situação confirmada “por um alto responsável pelos portos açorianos”, destacou o deputado.
Élvio Sousa destacou que os estudos independentes e informações fornecidas ao JPP por outros operadores comprovam esta diferença para com os Açores, situação que “penaliza fortemente a vida dos madeirenses e dos porto-santenses pois agrava o custo de vida da nossa população”.
“A título de exemplo, o envio de um contentor de 40 pés, vindo de Lisboa para o Caniçal (954 quilómetros) tem um custo de 2,12 euros por quilómetro, (2.027 euros no total). Para os Açores, o mesmo contentor para Ponta Delgada (1.429 quilómetros) paga 1,61 euros por quilómetro (2.301 euros no total)”, vincou.
O deputado salientou ainda que “para além desta diferença de valores já à partida, voltamos a verificar diferenças abismais se o mesmo contentor circular entre as diferentes ilhas do Arquipélago, ou seja, nos Açores, o mesmo contentor se for de Ponta Delgada para São Miguel ou para a Terceira, ao valor inicial, acresce 15 euros. Já da Madeira para o Porto Santo, acresce 358 euros, mais 17,7%. Isto é uma autêntica vergonha”, referiu.
“Esta é a realidade, sem montagens, sem reportagens de publicidade em órgãos de comunicação social detidos por grupos económicos de transporte marítimo. A economia regional encontra-se capturada por monopólios que neste momento usam alguns meios de comunicação social para, não só fazer difundir um ‘bipartidarismo chique’, como, também, para esconder a verdade e discriminar editorialmente outras forças político-partidárias. A falta de rigor informativo e de equidistância editorial tornam a democracia escrava de alguns, com a cumplicidade de vários responsáveis governativos”, concluiu Élvio Sousa.