Macron promete novo PM nos próximos dias após queda de Bayrou

O primeiro-ministro gaulês viu a moção de confiança a ser chumbada. Os próximos passos serão decididos pelo presidente Macron.

Macron promete novo PM nos próximos dias após queda de Bayrou
Francois Bayrou, leader of French centrist party MoDem (Mouvement Democrate), arrives to attend the second plenary session of the Conseil National de la Refondation (CNR - National Council for Refoundation) at the Elysee Palace in Paris, France, December 12, 2022. REUTERS/Gonzalo Fuentes

A Assembleia Nacional francesa chumbou a moção de confiança ao executivo de François Bayrou: 364 votos contra e 194 a favor. Resultado: François Bayrou vai apresentar a sua demissão na terça-feira de manhã.

É uma derrota para o presidente francês Emmanuel Macron, com a queda do quarto primeiro-ministro no espaço de dois anos. François Bayrou assumiu o cargo há apenas 9 meses.

O Palácio do Eliseu anunciou hoje que vai apresentar um novo primeiro-ministro nos próximos dias.

O plano de Bayrou para cortar a dívida falhou, resta ver agora como vai ser a reação dos mercados nos próximos dias que deverão vir a castigar duramente a França.

Era uma missão quase impossível: tentar juntar a extrema-direita, extrema-esquerda, e os partidos do centro à direita e esquerda. O objetivo é cortar 44 mil milhões de euros em gastos no próximo ano, reduzir o défice que atinge quase o dobro dos 3% permitidos pela UE e reduzir o fardo de dívida que já atinge os 114% do PIB.

Mas os partidos da oposição não estão para aí virados, estando já a planear sacar dividendos do caos político para tentar alavancar a sua posição nas eleições presidenciais de 2027.

Duas fontes com conhecimento sobre o pensamento de Marcon, não acreditam que uma eleição venha a resolver a crise. A chave poderá estar no Partido Socialista francês, que já apresentaram propostas para criar um imposto de 2% sobre fortunas acima de 100 milhões de euros e poupanças de 22 mil milhões de euros, o que poderá colidir com a agenda de Macron.

Os franceses já se estão a organizar. Os sindicatos começam a planear ações de protesto. Um movimento recém-criado promete tomar as ruas francesas na quarta-feira sob o mote: “Bloquons Tout”, “Vamos bloquear tudo”.

No entanto, parece impossível agradar a todos. Macron pode também decidir convocar eleições, dissolvendo o Parlamento pela segunda vez, mas até agora tem resistido aos apelos da extrema-direita do União Nacional ou a extrema-esquerda do França Insubmissa.

No seu discurso antes da votação, o primeiro-ministro disse que o controlo da dívida francesa é uma “questão de vida ou morte” para o país.

“O maior risco é não tomar decisões. Estamos a lidar com uma questão histórica, e não política, que é para as próximas gerações. Se tivéssemos a produção dos nossos vizinhos, França não teria um problema de défice, mas a produção é uma emergência nacional”, disse hoje François Bayrou em discurso no Parlamento gaulês.

“A questão vital, a questão de vida ou de morte, onde a nossa própria sobrevivência está em risco, é a questão de controlar os nossos gastos, é a questão do sobre-endividamento”, acrescentou, citado pela “Reuters”.

 

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