A Assembleia Nacional francesa chumbou a moção de confiança ao executivo de François Bayrou: 364 votos contra e 194 a favor. Resultado: François Bayrou vai apresentar a sua demissão na terça-feira de manhã.
É uma derrota para o presidente francês Emmanuel Macron, com a queda do quarto primeiro-ministro no espaço de dois anos. François Bayrou assumiu o cargo há apenas 9 meses.
O Palácio do Eliseu anunciou hoje que vai apresentar um novo primeiro-ministro nos próximos dias.
O plano de Bayrou para cortar a dívida falhou, resta ver agora como vai ser a reação dos mercados nos próximos dias que deverão vir a castigar duramente a França.
Era uma missão quase impossível: tentar juntar a extrema-direita, extrema-esquerda, e os partidos do centro à direita e esquerda. O objetivo é cortar 44 mil milhões de euros em gastos no próximo ano, reduzir o défice que atinge quase o dobro dos 3% permitidos pela UE e reduzir o fardo de dívida que já atinge os 114% do PIB.
Mas os partidos da oposição não estão para aí virados, estando já a planear sacar dividendos do caos político para tentar alavancar a sua posição nas eleições presidenciais de 2027.
Duas fontes com conhecimento sobre o pensamento de Marcon, não acreditam que uma eleição venha a resolver a crise. A chave poderá estar no Partido Socialista francês, que já apresentaram propostas para criar um imposto de 2% sobre fortunas acima de 100 milhões de euros e poupanças de 22 mil milhões de euros, o que poderá colidir com a agenda de Macron.
Os franceses já se estão a organizar. Os sindicatos começam a planear ações de protesto. Um movimento recém-criado promete tomar as ruas francesas na quarta-feira sob o mote: “Bloquons Tout”, “Vamos bloquear tudo”.
No entanto, parece impossível agradar a todos. Macron pode também decidir convocar eleições, dissolvendo o Parlamento pela segunda vez, mas até agora tem resistido aos apelos da extrema-direita do União Nacional ou a extrema-esquerda do França Insubmissa.
No seu discurso antes da votação, o primeiro-ministro disse que o controlo da dívida francesa é uma “questão de vida ou morte” para o país.
“O maior risco é não tomar decisões. Estamos a lidar com uma questão histórica, e não política, que é para as próximas gerações. Se tivéssemos a produção dos nossos vizinhos, França não teria um problema de défice, mas a produção é uma emergência nacional”, disse hoje François Bayrou em discurso no Parlamento gaulês.
“A questão vital, a questão de vida ou de morte, onde a nossa própria sobrevivência está em risco, é a questão de controlar os nossos gastos, é a questão do sobre-endividamento”, acrescentou, citado pela “Reuters”.