As grandes marcas de luxo europeias voltaram a brilhar durante a Semana da Moda de Paris, mas os investidores estão a questionar-se se será o suficiente para regressar a ganhos antigos.
O ano arrancou de forma positiva para a moda europeia, dado o regresso dos chineses ao mercado e a um maior valor gasto por parte dos norte-americanos. Mas, como nem tudo são rosas, o mercado chinês voltou a desacelerar e as taxas de juro estão incertas, o índice Europe Luxury 10 apresentou o maior deslize desde 2020.
A “Reuters” explica que voaram 175 mil milhões de dólares do valor de mercado das dez cotadas que compõem o índice de luxo desde o fim de março. “O sector desvalorizou drasticamente nos últimos dois a três meses devido a uma combinação de aumento das taxas de juro, o posicionamento dos investidores e a antecipação de corte nos ganhos”, aponta Bernard Ahkong, co-CIO da UBS O’Connor Global Multi-Strategy Alpha.
No fundo, a elevada inflação e o aumento consecutivo das taxas de juro têm feito os consumidores apertarem os bolsos.
Ainda assim, quando em comparação com o ano anterior, as ações do luxo ainda somam uma diferença positiva de 20%. Os investidores só podem, nesta altura, esperar um quarto trimestre positivo à boleia das compras de Natal, podendo nunca chegar boas notícias.
O afastamento do luxo aconteceu ainda este ano, quando a Novo Nordisk ultrapassou a LVMH enquanto a empresa mais valiosa da Europa no mês passado.
Os bancos de investimento também não estão satisfeitos com os resultados e a Morgan Stanley cortou as perspetivas de ganhos por ação em 6% para 2024 enquanto o Bank of America aplicou um corte de 7%.