O Novobanco teve lucros de 200,7 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, mais 13,2% do que nos primeiros três meses de 2025, divulgou hoje o banco em comunicado.
Em rentabilidade o banco reportou um RoTE (retorno do capitais próprios tangíveis) de 19,9% e em termos de capital um rácio CET1 de 19,2%.
O Tangible Book Value (Valor Contabilístico Tangível) ascendeu a 4.530 milhões de euros, o que representa um crescimento de 20,2% face a março de 2025 (valor pro-forma, ajustado pela redução de capital de 1,1 mil milhões de euros).
Entre janeiro e março, a margem financeira (a principal rubrica de receitas de um banco e que é a diferença entre juros cobrados no crédito e juros pagos nos depósitos) caiu 1% para 276,2 milhões de euros, num contexto de descida das taxas de juro face a período homólogo.
As comissões cresceram 1,5% para 85,6 milhões de euros.
O produto bancário cresceu 4,4% para 389,8 milhões de euros.
A contribuir para os resultados esteve também a rubrica de imparidades e provisões (reservas para fazer face a perdas com créditos), pois no primeiro trimestre houve reversão de imparidades no valor de 13,9 milhões de euros.
O custo do risco fixou-se em -3pb (no primeiro trimestre de 2025 tinha sido de 17pb).
Ainda na conta de resultados, o banco teve 32,4 milhões de euros em outros resultados de exploração (o triplo de período homólogo). Os custos subiram 4,2% para 130,6 milhões de euros.
O Rácio Cost to Income é de 36,1%.
No balanço o crédito a clientes bruto do Novobanco registou um crescimento de +3,4% face a dezembro de 2025, ascendendo a 32 mil milhões de euros. Deste montante, 57% foi concedido a empresas, 35% corresponde a crédito habitação e 8% a crédito ao consumo e outros segmentos.
A concretização da aquisição da unidade de negócio do Unibanco, durante o primeiro trimestre, contribuiu para este desempenho com um aumento da carteira de crédito a clientes líquido de 0,3 mil milhões de euros.
O banco liderado por Mark Bourke registou “ganhos relevantes” de quota de mercado em Factoring e Confirming, com a quota de mercado de Factoring a atingir 16,6%. Alcançou também a liderança no Leasing Mobiliário com com mais de 500 milhões de produção acumulada.
“O Novobanco destacou-se ainda no apoio às empresas, com mais de 110 milhões de euros contratados ao abrigo da Linha BPF Apoio à Reconstrução. Em paralelo, o banco manteve a sua liderança na Linha de Apoio à Qualificação da Oferta (LAQO), em parceria com o Turismo de Portugal, e reforçou a sua oferta de meios de pagamento, alcançando uma quota de mercado de 14,2% na faturação de Terminais de Pagamento Automático (TPA)”, segundo o comunicado.
“Na sequência do dinamismo do negócio nos primeiros três meses de 2026, a originação de crédito manteve-se a um nível elevado, atingindo os 1,6 mil milhões de euros, o que representa um crescimento de 14% face a março de 2025”, diz o banco que acrescenta que deste montante, 60% foi destinado a empresas, 27% a crédito habitação e 13% a crédito ao consumo e outros segmentos, com a produção verde a destacar-se ao representar mais de 30% do total da nova produção.
Os recursos totais captados aumentaram para 48,2 mil milhões de euros, com a representatividade dos depósitos a atingir 68,9% no financiamento da atividade. Os depósitos cresceram 1,2 mil milhões de euros, fixando-se em 33,2 mil milhões de euros (um aumento de 3,7% face a dezembro de 2025).
Na qualidade da carteira de crédito o banco revela que os créditos não produtivos (NPL) totalizaram 839 milhões de euros, o que representa um aumento de 3,5% face a dezembro de 2025. O rácio líquido de NPL manteve-se em níveis residuais de 0,3% (comparado com os 0,2% em dezembro de 25), enquanto o rácio bruto de NPL fixou-se nos 2,9%, em linha com o período anterior. O nível de cobertura situou-se nos 88,6% (dezembro de 25: 91,9%).
Em 31 de março de 2026, os indicadores de liquidez do banco mantiveram-se em níveis sólidos. O Rácio de Cobertura de Liquidez (LCR) fixou-se em 150% (comparado aos 160% em dezembro de 2025), enquanto o Rácio de Financiamento Líquido Estável (NSFR) situou-se em 117% (face aos 118% no final de 2025).
A divulgação das contas do primeiro trimestre (sem conferência de imprensa) acontece no mesmo dia em que será concretizada a venda do Novobanco.
Hoje, os atuais acionistas (o fundo norte-americano Lone Star, com 75%, e o Estado português, com 25%) formalizam a venda da totalidade do banco ao grupo francês Banque Populaire et Caisse d’Epargne (BPCE). Não haverá cerimónia pública.
A venda do Novobanco hoje significa a saída do Estado português do capital do banco que foi criado há quase 12 anos para proteger os depositantes do Banco Espírito Santo (BES), na sua resolução.
No domingo 03 de agosto de 2014, por decisão das autoridades (Banco de Portugal e Governo em conjunto com Comissão Europeia e Banco Central Europeu), chega ao fim o histórico Banco Espírito Santo (BES), imerso em graves problemas financeiros e irregularidades (que deram mesmo origem a processos crime).
Nesse dia em que termina o BES (que passa a ser um banco em liquidação) é criado o Novobanco para ficar com parte da atividade bancária do BES, desde logo os depósitos.
(atualizada)