Lucros do grupo Sonae com aumento de 11% em 2025 para 247 milhões

O EBITDA aumentou 18%, para 1,2 mil milhões de euros, “refletindo o crescimento dos negócios e os ganhos de eficiência operacional”. O investimento consolidado totalizou 612 milhões, prosseguindo a potenciação das avenidas de crescimento. Já a dívida líquida consolidada diminuiu 102 milhões. A proposta de dividendo por ação a remeter à Assembleia Geral é de 6,217 cêntimos por ação.

Lucros do grupo Sonae com aumento de 11% em 2025 para 247 milhões
CEO da Sonae

O grupo Sonae divulgou esta quinta-feira ter atingido um resultado líquido atribuível aos acionistas de 247 milhões de euros no final de 2025, mais 11% que os 223 milhões obtidos no final do ano anterior.

O volume de negócios consolidado cresceu 14%, para um valor recorde de 11,4 mil milhões de euros, “com expansão orgânica, reforço de posições de liderança, exploração de sinergias e gestão estratégica do portefólio”, refere ainda em comunicado enviado ao regulador do mercado.

Por sua vez o EBITDA aumentou 18%, para 1,2 mil milhões de euros, “refletindo o crescimento dos negócios e os ganhos de eficiência operacional”. O investimento consolidado totalizou 612 milhões, prosseguindo a potenciação das avenidas de crescimento. Já a dívida líquida consolidada diminuiu 102 milhões. A proposta de dividendo por ação a remeter à Assembleia Geral é de 6,217 cêntimos por ação.

Para Cláudia Azevedo, CEO da Sonae, citada pelo comunicado, “2025 foi um ano extraordinário para a Sonae, reforçando a nossa confiança de que estamos a construir um grupo coeso de empresas líderes, com escala, capacidade e ambição para criar valor económico e social no longo prazo. Após uma reconfiguração significativa do portefólio da Sonae no ano passado, nomeadamente através dos investimentos relevantes na Musti e na Druni, em 2025 os nossos esforços centraram-se na integração bem sucedida destas empresas, bem como no apoio a todos os negócios para que continuem a prosperar nos seus mercados. O desempenho operacional permitiu consolidar a nossa trajetória de desalavancagem progressiva e terminar o ano com um crescimento impressionante do NAV de 15%”.

O ano passado foi também “importante em termos de inovação, impulsionado por melhorias nas nossas capacidades digitais e de IA, permitindo ofertas mais personalizadas, bem como formas mais eficientes de servir os nossos clientes”, refere ainda a CEO do grupo.

Em 2025 a Sonae continuou a investir no desenvolvimento dos seus negócios, no reforço da diversificação do portefólio e na criação de valor social, potenciando as suas avenidas de crescimento, refere o comunicado. “O investimento consolidado atingiu 612 milhões, com destaque para a aposta na expansão orgânica dos negócios, nomeadamente no retalho nos diversos mercados em que a Sonae está presente, bem como em movimentos importantes do portefólio internacional”.

Negócio a negócio

No retalho alimentar e no segmento de saúde, bem-estar e beleza, o volume de negócios da MC atingiu 8,9 mil milhões de euros em 2025 (+16% em termos homólogos), com o LfL (Like-for-like) a crescer 7,9%. “Este desempenho reflete uma forte execução operacional, benefícios de escala e investimento disciplinado na expansão e no reforço de capacidades em ambos os segmentos, reforçando a liderança de mercado da MC e o seu perfil de criação de valor no longo prazo”, diz a Sonae.

O volume de negócios anual aumentou para 7,1 mil milhões de euros (+10% em termos homólogos), impulsionado por um crescimento das vendas LfL de 8,3%. “O crescimento foi principalmente impulsionado por volumes, refletindo a força da proposta de valor do Continente num contexto de inflação moderada. Este desempenho foi ainda suportado pela expansão da rede, com 13 supermercados abertos durante o ano, maioritariamente de proximidade”, refere a empresa.

No segmento de saúde e beleza, a MC reforçou ainda mais a sua posição como um player líder na Península Ibérica, alavancando a escala e o posicionamento complementar da Wells, Druni e Arenal para acelerar o crescimento e reforçar a competitividade. O volume de negócios em 2025 aumentou para 1,8 mil milhões de euros, com as vendas LfL a crescerem 5,6%, o que a Sonae atribui à consolidação integral da Druni e à contínua expansão da rede na Península Ibérica, com 42 lojas abertas durante o ano. A Druni entrou também no mercado português, fechando 2025 com quatro lojas no país.

No retalho de eletrónica, marketplace e serviços, o volume de negócios da Worten aumentou 7,5%, para 1,5 mil milhões de euros, suportado pelo rescimento das vendas LfL de 5,8%, com uma contribuição positiva da eletrónica e eletrodomésticos, bem como dos serviços. “A Worten reforçou o seu posicionamento digital, aumentando o peso das vendas online de 17% em 2024 para 20% em 2025, com as lojas físicas e os canais digitais a desempenharem ambos um papel central na sua proposta de valor omnicanal”, detalha a empresa.

A iServices, marca internacional de reparação de telemóveis do grupo, continuou a sua expansão no último trimestre do ano, entrando em novos mercados (Países Baixos e Espanha Continental), abrindo 4 lojas em Portugal e 12 internacionalmente. Após esta expansão, a iServices terminou 2025 com 130 localizações, entre Portugal (73), Bélgica (26), França (16), Ilhas Canárias (9), Países Baixos (3) e Espanha Continental (3).

No retalho de produtos e cuidados para animais de estimação, a Musti reforçou posições nos países nórdicos e alargou a sua presença geográfica integrando a PetCity nos Bálticos (adquirida no 4º trimestre de 2024) e a ZU em Portugal (adquirida à MC em dezembro de 2025).

No final de 2025, a Musti tinha expandido a sua presença para sete países. Assim, o volume de negócios aumentou 14,4%, suportado pelos negócios recentemente adquiridos, pela abertura de lojas e por uma robusta performance de vendas LfL de 3,3%.

No setor imobiliário, “o desempenho da Sierra foi impulsionado pelo bom desempenho em todo o seu portefólio europeu de centros comerciais; pela expansão significativa do seu negócio de serviços, através de iniciativas tanto orgânicas como inorgânicas; e pelo avanço contínuo dos seus projetos de desenvolvimento, reforçando uma trajetória clara de crescimento escalável e criação de valor no longo prazo”.

O portefólio europeu de centros comerciais  viu as vendas LfL dos lojistas a aumentarem 4,6% durante o ano, suportando o crescimento das rendas. A ocupação manteve-se praticamente plena, em 99%. A Sierra continuou também a gerir ativamente o portefólio através de remodelações seletivas e iniciativas de reciclagem de capital, incluindo a alienação da sua participação no Fashion City Outlet, na Grécia, e no Parque Dom Pedro, no Brasil.

Em outubro, a Sierra adquiriu a divisão de Real Estate Management da Unibail-Rodamco-Westfield na Alemanha, tornando-se o segundo maior gestor de centros comerciais de terceiros no país. “Este movimento estratégico reforçou a presença internacional da Sierra e consolidou o seu perfil de receitas recorrentes baseadas em receitas junto de parceiros-chave. Na área de gestão de investimento, a Sierra continuou também a inovar e a diversificar a sua plataforma, lançando o seu primeiro veículo open-ended em parceria com a CCAM, com Arrábida e GaiaShopping como ativos seed”, lê-se no comunicado.

No âmbito da diversificação setorial, o ano terminou com a criação de uma joint venture relevante para a plataforma PBSA da Sierra e com a aquisição do primeiro ativo.

“A atividade de desenvolvimento progrediu de forma consistente, com projetos em construção a avançarem, a comercialização bem-sucedida de projetos residenciais e de uso misto, e aquisições em curso para expandir a carteira de build-to-sell e build-to-rent na Península Ibérica. O resultado líquido atingiu 110 milhões em 2025, suportado principalmente por um desempenho operacional mais forte e pela melhoria das avaliações dos centros comerciais”, refere a Sonae.

Por fim, nas telecomunicações e tecnologia, a NOS apresentou “resultados operacionais sólidos, trimestre após trimestre, apesar de operar num ambiente competitivo altamente desafiante no segmento de Telecomunicações”.

A combinação com a diversificação das suas fontes de receita – nomeadamente para o segmento de IT, na sequência da aquisição da Claranet Portugal no início de 2025 – e com ganhos relevantes de eficiência no âmbito do seu programa de transformação em curso, “conduziram a resultados financeiros robustos e sustentáveis”.  O resultado líquido, excluindo impactos não recorrentes, aumentou 55 milhões em termos homólogos. Nas contas consolidadas da Sonae, a contribuição da NOS pelo método de equivalência patrimonial ascendeu a 92 milhões em 2025. O volume de negócios aumentou 1,6% para 1,8 mil milhões de euros, enquanto o EBITDAaL cresceu 4% para 681 milhões.

 

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