Lituânia pede ao TPI mandado de captura contra Presidente bielorrusso

Embora a Bielorrússia não reconheça a jurisdição do TPI, o Ministério da Justiça lituano argumentou que a expulsão ou deportação de opositores políticos da Bielorrússia para a Lituânia equivale à prática de um crime em território lituano e, assim, poderá ser investigado pelo procurador do TPI.

Lituânia pede ao TPI mandado de captura contra Presidente bielorrusso
Belarusian President Alexander Lukashenko attends a ceremony marking the beginning of the new school year at Baranovichi College of Service Industry, in Baranovichi, Belarus September 1, 2020. Nikolai Petrov/BelTA/Handout via REUTERS

A Lituânia solicitou hoje ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, que investigue alegados crimes contra a humanidade cometidos pelo regime do Presidente bielorrusso, Aleksander Lukashenko, e que emita mandados de prisão contra os responsáveis.

Embora a Bielorrússia não reconheça a jurisdição do TPI, o Ministério da Justiça lituano argumentou que a expulsão ou deportação de opositores políticos da Bielorrússia para a Lituânia equivale à prática de um crime em território lituano e, assim, poderá ser investigado pelo procurador do TPI.

A ministra da Justiça lituana, Ewelina Dobrowolska, revelou que o objetivo do pedido é a emissão de mandados de captura internacionais contra Lukashenko e outros membros do seu governo e forças de segurança.

“A Lituânia foi o primeiro país a recorrer ao TPI relativamente à situação na Ucrânia e acabou por ser emitido um mandado de captura contra [Vladimir] Putin (Presidente russo). Agora, estamos a pedir ao TPI que investigue a situação na Bielorrússia e esperamos que seja emitido um mandado de captura para Lukashenko”, acrescentou a responsável, citada em comunicado.

Milhares de bielorrussos foram expulsos ou fugiram para a Lituânia e para outros países vizinhos, uma vez que Lukashenko e as suas forças de segurança “levaram a cabo uma campanha contra a população civil da Bielorrússia”, lê-se no texto.

Segundo a mesma fonte, a campanha inclui “graves privações de direitos fundamentais, detenções arbitrárias, perseguições e condenações, violência ilegal grave, assassínios, violência sexual, danos físicos e mentais, tortura, tratamentos desumanos e degradantes, intimidação e assédio, trabalhos forçados e desaparecimentos forçados, entre outros”.

O pedido lituano dirigido ao procurador do TPI solicita uma investigação desde maio de 2020, quando decorreu a última eleição presidencial, amplamente considerada injusta e fraudulenta. Nesta ida às urnas, Lukashenko foi reeleito contra a líder da oposição Sviatlana Tsikhanouskaya, que fugiu para a Lituânia.

Tsikhanouskaya apoia o pedido hoje divulgado e é citada no comunicado, referindo que “não se trata apenas da Bielorrússia, trata-se de justiça para todos aqueles que valorizam a paz democrática”.

“Acabou-se a impunidade. O TPI oferece uma via clara para o futuro. Exortamos-vos a exercer os vossos direitos ao abrigo do artigo 14º do Estatuto de Roma e a ajudar a pôr termo a este regime de terror”, defendeu.

A Embaixada da Lituânia em Haia convocou uma conferência de imprensa para terça-feira para explicar este recurso ao TPI.

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