Líder do segundo maior partido da Guiné-Bissau renuncia ao cargo

Na base da decisão está a derrota nas eleições legislativas do passado dia 4.

Líder do segundo maior partido da Guiné-Bissau renuncia ao cargo
Guiné-Bissau

O coordenador nacional do Movimento da Alternância Democrática (Madem-G15) da Guiné-Bissau, Braima Camará, renunciou hoje ao cargo, após a derrota do partido nas eleições legislativas do dia 04.

“Perante este órgão, eu apresento a renúncia do meu mandato”, afirmou Braima Camará, quando discursava perante o Conselho Nacional do Madem-G15, reunido para analisar os resultados das eleições legislativas, nas quais o partido obteve 29 dos 102 lugares do parlamento guineense.

O Madem-G15 governava o país em coligação com o Partido de Renovação Social e com a Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau.

O anúncio feito por Braima Camará provocou a agitação entre os 542 membros do Conselho Nacional do partido (composto por 615), que começaram imediatamente a gritar “nunca” e a afirmar que não aceitavam a sua demissão.

Vários membros levantaram-se e juntaram-se, a chorar, à tribuna onde discursava Braima Camará, a pedir para não deixar de ser coordenador nacional do partido, obrigando alguns elementos das forças de segurança a entrar na sala, enquanto outros dirigentes do partido pediam às pessoas para se acalmarem.

Antes de o seu discurso ser interrompido, Braima Camará considerou que é o “único responsável pela derrota eleitoral” e que não “há bodes expiatórios, nem dois culpados”.

“O Madem perdeu as eleições. Ponto final. Parágrafo. Não vou a tribunal por causa dos resultados”, disse Braima Camará, salientando que a política deve ser feita com nobreza e que “nunca será um primeiro-ministro cozinhado num gabinete”.

“Tenho uma visão e uma ideia clara para a Guiné-Bissau”, afirmou.

Após a situação na sala estar mais calma, os jornalistas foram convidados a sair, para o Conselho Nacional prosseguir o seu trabalho, de onde deverá sair ainda hoje uma resolução final.

Os resultados das eleições legislativas deram a vitória à coligação PAI – Terra Ranka com 54 dos 102 deputados ao parlamento, conquistando assim a maioria absoluta.

O Madem-G15 obteve 29 deputados na Assembleia Nacional Popular, mais dois assentos do que em 2019.

O Partido de Renovação Social (PRS) conseguiu 12 deputados, uma grande descida em relação às legislativas de 2019, quando obteve 21 assentos, enquanto o Partido dos Trabalhadores Guineenses (PTG), criado no final de 2021, e liderado por Botche Candé, obteve seis deputados na sua estreia eleitoral.

A Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau, liderada pelo primeiro-ministro cessante Nuno Gomes Nabiam, obteve apenas um deputado, quando em 2019 elegeu cinco deputados.

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